Archive for Outubro, 2009

Sei lá, só sei que é assim

Este post não é direcionado a ninguém exatamente, surgiu de pequenas situações cotidianas que me fizeram lembrar deste meu rígido posicionamento.

Se há algo que não funciona comigo é pressão. “Você tem que ir àquele compromisso social”, “você tem que telefonar pra dar uma satisfação”, “você tem que ir me ver hoje”, “você tem que aparecer de vez em quando”, “você tem que isso e que aquilo…”. Não, detesto isso. Eu não “tenho que” nada. Eu faço o que eu tenho vontade de fazer. Nos dias em que eu fui a um compromisso social, em 99% das vezes eu quis ir, e fui feliz em ter ido, não fui cumprir uma agenda (existem exceções, é claro, mas são raras). No dia que eu ligar pra alguém é porque senti vontade de falar com essa pessoa, e não liguei pra me manter presente. Não acredito nessa presença. Tenho muitos amigos com quem falo uma vez por ano, e isso não quer dizer que eles não são importantes pra mim. No dia em que os encontro é como se tivéssemos nos visto há poucos dias. Com a diferença de que temos muitas novidades pra contar e nenhum encontro é chato. Não é pra acumular novidades que eu não ligo, eu simplesmente não sinto necessidade de ligar semanalmente pra dizer “olha, eu estou aqui se você precisar, eu estou regando o jardim da nossa amizade, os verdadeiros amigos se ligam pra dizer nada de vez em quando, ou pra saber se está tudo bem”. Ora, se não estiver tudo bem, meus amigos sabem que podem contar comigo. E também eu não sou um monstro, eu ligo quando sinto saudade, e é sempre genuíno.

Às vezes meus amigos me ligam e eu não atendo. Algumas vezes eu realmente não vejo, ou não posso atender, mas algumas vezes eu não quero falar. Isso quer dizer o que? “Oh céus, ela não é mais minha amiga, não me ama”. Socorro…

Talvez eu seja um tipo estranho sim, de amiga, de parente, de pessoa, já me disseram isso, me recriminaram, reclamaram, tudo bem, eu entendo! Mas e se eu for? Eu me sinto bem sendo assim. Eu faço bem aos meus amigos, mesmo se falo menos com eles do que a maioria das pessoas.

E se por acaso eu disser “olha, não estou com vontade de ir hoje”, ou “hoje eu não posso, já tenho outro compromisso”, entenda, não é nada pessoal. Eu simplesmente não estou no clima! E nesse caso não insista, porque normalmente é uma decisão só, então a insistência só vai desgastar as coisas. Eu sou persistente com os insistentes.

Ui, que desabafo!

Papy, Trotro, Gipsy, Alouette e a saudade

papy

Voici papy.

Eu ando morrendo de saudade de Esteban, meu sobrinho de dois anos que mora na França. Claro que também estou azul de saudades de minha irmã, Rai, a mãe dele (e de Pierrick também! Meu cunhado caladão que anda conversando cada vez mais).

papy2

Papy avec le petit.

Estebinho é uma coisa muito linda. Ele é doce, ao mesmo tempo em que é independente, ao mesmo tempo em que te ignora, ao mesmo tempo em que, de repente, ele corre pros seus braços e fica guardadinho lá, pedindo um carinhozinho. Ele fala “fran-tuguês” (mistura tudo às vezes). Tem um cabelinho com cachinhos dourados que é a coisa mais terna desse mundo. E um sorrisinho que eu gostaria de fotografar todos. A risada? Linda. Parece que todos os males do mundo caem por terra, e a vida ganha a quarta camada de cor dos antigos filmes Kodak. Ele tem um corpinho atlético, parece um homenzinho. E, de repente, ele surpreende a todos com suas tiradas.

papy3

Où est papy?

Como ele está aprendendo dois idiomas ao mesmo tempo, demora um pouco mais pra desatar a soltar frases compridas. Outro dia, em férias aqui em casa, ele estava sentadinho no chão com cinco sabonetes. Eu, meu pai e minha mãe (que ele chama de gogô e gogó), junto dele, admirando a cena distraidamente. Ele sozinho, então, começa a separar uns sabonetes dos outros dizendo:

– Un, deux, tois, quat, cin.

Assim mesmo, faltando algumas partes, mas ele contou todos. Diante do susto, todo mundo correu pra pegar uma câmera. Ele obviamente não repetiu. Depois que o aparato estava desmontado, ele solta:

– Um, do, tê, quat, in.

E a câmera lá, desligada, para desespero geral. Em outra ocasião, ele já em casa em Grand Quevilly (que é menor do que a vizinha Petit Quevilly – vá entender), minha irmã passa o telefone pra ele falar comigo.

– Alô! É Estebinho??

Minha irmã me diz que ele de lá faz que sim com a cabeça. Depois devolve o telefone pra ela, sai correndo e volta com o aspirador de pó de brinquedo dele pra me mostrar no telefone.

papy4

Où pense-tu qu'il se cache?

E só mais um episódio. Anteontem minha irmã me contou que eles estavam vendo fotos das férias no Brasil. A cada foto ele dizia:

– Encore! – “de novo”.

Ele queria voltar. Como eu sei? Ele saiu da cadeirinha, pegou o casaquinho dele, pediu à mãe pra vestir, puxou-a pela mão e levou à porta. Queria voltar ao Brasil pra ver gogô, gogó e tata (esta que vos fala).

papy5

Dans un tableau, peut-être?

Esteban é uma coisa. Eu morro de saudade dele. É meu pequeno príncipe particular. Aiai…

papy6

Voilà, papy!

Armada e apontada!

Está na Folha de S. Paulo de hoje:

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou a suspensão de todas as propagandas do iogurte Acitiva (hehehe). Para a Agência (segue a nota), a Danone anuncia o iogurte como se ele fosse um tratamento para o funcionamento intestinal irregular.

Uma pergunta, há quantos anos o Activia existe? Há quantos anos anuncia? E há quantos anos sai alardeando por aí que o consumo diário do treco resolve prisão de ventre? Desde que o mundo é mundo! Anos! Depois que a imagem do produto está absolutamente ligada ao funcionamento do intestino, depois que a ligação está consolidada, alguém vem proibir. Eu acho que a Danone não deveria prometer o milagre do iogurte libertador, concordo com a decisão. Mas a demora da providência tira a legimidade dela, a meu ver. Ou então foi porque o bambambam da Anvisa leu meu blog, e percebeu, né! Que a propaganda da Activia era muito descarada.

Isso me faz lembrar a multa da Transalvador que recebi hoje (eu e minha língua – não tinha nada que contar isso aqui). Há 40 dias eu ultrapassei um sinal vermelho, oito e tanta da noite, porque no carro ao lado o motorista dirigia de maneira muito suspeita. Depois que eu dei um sinal de luz pra ele escolher uma das faixas (ele usava duas), ele começou a agir de maneira estranha, ficou emparelhando com o meu carro, acelerando e brecando, e eu suspeitei que um maluco poderia estar ao volante. O sinal ficou vermelho, ele parou bruscamente e eu comecei a imaginar: eu parando ao lado, ele saindo do carro com um taco de baseball, caco de vidro, AR15 ou qualquer artefato ameaçador e vindo em minha direção. Antes que a visão dantesca se materializasse, resolvi seguir adiante, e fui clicada. 40 dias depois é que eu recebo a amarelinha? Me poupe. Vou recorrer.

Antes de terminar, um registro! A exemplo do bambambam da Anvisa, quem frequenta o meu humilde blog é o bambambam da Rede Globo! É mesmo. Depois que eu fiz uma leve observação sobre Denise Fraga e sua Norma, a Globo anunciou que o programa sairá do ar, por ter apresentado baixo índice de audiência… Se alguém aí estiver pensando em se meter comigo, cuidado!! Eu sou perigosa!!

Frases ácidas

Tem algumas frases que eu ouço, que na mesma hora me vem a ideia de colocar no blog. Aliás, blog é um vício. Eu agora praticamente acordo e durmo como se estivesse vivenciado um post. Mas voltando às frases, eu ando copiando algumas delas no celular (meu novo equipamento bloguístico) pra não esquecer. E pretendo listar algumas delas por aqui. A possibilidade de ninguém achar graça é grande, mas é uma questão de satisfação pessoal!

Vamos lá:

– “A altura que a mulher eleva o braço na hora de dançar numa boite, revela o nível de disponibilidade em que ela se encontra. Se dança com os braços à altura dos ombros, está curtindo na dela; se joga ao nível da cabeça está querendo novidades, e se lança os braços para o alto tá fácil, fácil”.

(de Nanci, depois de observar ao redor em uma dessas noites aí).

– “Gente! Nunca mais usei esse vestido!”

(de uma amiga que não vou identificar por motivos óbvios, ao ver uma foto inédita onde ela estava com um ex. Antes de ouvir a pérola, eu cerrei os olhos, porque achei que ela fosse sofrer com as lembranças).

– “Meu deus! Descobri que a vida virou apenas um pretexto para tirar fotos e colocar no facebook!”

(Minha mesmo, ao descobrir que até pra ir ao banheiro de um bar ou andar na calçada pergunto se alguém trouxe “a máquina” – deve ser grave).

“Se eu fosse mais inteligente, seria uma excluída da sociedade!”

(Nanci, depois de uma conversa comigo e Paulinha sobre a incompatibilidade entre ser inteligente e ser feliz, com direito a contos de Voltaire entre uma pipoca e uma jujuba).

“Já tá difícil desse jeito!”

(Eu, ainda sobre o mesmo assunto, e mandando a modéstia pra casa do car*&@#).

Bastardos Inglórios – Tarantino Puro Sangue

Bastardos Inglórios.  U-A-U. Eu adorei. Fui com expectativa alta e ainda saí surpreendida. É engraçado quando a gente ama muito uma coisa, quando fica em contato com ela dá uma sensação gostosa, diferente dentro da gente! Calma, eu explico. Eu amo o cinema. Acho que já disse da sensação de entrar na sala, de ouvir a música que toca na sala antes de apagar as luzes (menos a Rádio Trama do Cinemark, com Patrícia Marx e Bruno Ê), do apagar das luzes, do acender da tela, dos trailers, dos créditos, do filme. Deu pra sacar que eu adoro toda a experiência. Faz parte de mim, que já disse que “o cinema salva”. Bom, ontem eu fui ver Bastardos Inglórios, com duas amigas. No início do filme, a trilha dos créditos já me fez sentir em casa… É que eu estava vendo um filme do Tarantino! E novinho em folha! Quase a mesma coisa de ver um Woody Allen novinho em folha. Não vi o tempo passar, e o filme é longo. Ri, me assustei, tive nojo, ansiedade, sorri, e várias outras reações diferentes.

Acho que a sinopse todo mundo já sabe. França dominada pelos nazistas. Judeus franceses, americanos e ingleses – todos querem matar Hitler e se vingar. O título do filme é o nome do bando chefiado por Brad Pitt, e que joguem pedras naquele que disser que Brad Pitt não é bom! Ele está ótimo, com seu sotaque de americano interiorano. Os oito bastardos querem, simplesmente, matar nazistas. Ou melhor, não simplesmente. Eles querem trucidar, humilhar, literalmente escalpelar os nazistas. Nada mal, hein? Se eu fosse falar do elenco, teria que começar por Christoph Waltz, o Coronel Hans Landa. O QUE É AQUILO???? O cara estava tipo “contracene  comigo e seja automaticamente coadjuvante”. Lembra do Coringa, de Heath Ledger? É tipo aquilo. Ele dominou o filme. E não é pelo fato do cara falar quatro línguas (esqueci alguma? Inglês, Alemão, Francês e Italiano) super bem, isso é bom, mas não é isso, ele está espetacular. Rouba os holofotes. Toda aquela polidez irônica e sórdida dá o tom do filme. Destaque pro diálogo inicial, com M. La Padite, de Denis Ménochet. Que baita início de filme! Bravo.

Todo o elenco está afiadíssimo, a violência sangrenta tarantinesca está presente, apesar de menos exagerada, e mesmo assim, para alguns, ser desnecessária no filme. Eu discordo, é o estilo de Tarantino, e eu espero ver tudo isso quando eu for assistir algo dele. Mesmo que feche o olho na hora (não tenho estômago! Fico com medo de desmaiar hahaha). A trilha sonora é ótima, hoje eu vi na Saraiva o cd. Tem umas 3 intervenções de Enio Morricone! Pra quem não sabe, ele é o ás da música no cinema (fez trilha pra Era uma vez no Oeste, Era uma vez na América, Lolita, Os Intocáveis, Cinema Paradiso e muitos outros).

Quem não viu o filme pule este parágrafo!! O ápice é a exibição do filme ‘O Orgulho da Nação’. A face de uma vingança judia é o sonho de todo mundo. Eu estava na expectativa do que ia ocorrer, porque até então, que eu saiba, ninguém tinha ousado mudar o curso da história só pra satisfazer nosso desejo de vingança. Foi ótimo, saí aliviada e satisfeita no meu íntimo instinto sangrento.

Bastardos Inglórios talvez seja o filme do ano. Eu levo um pouco de tempo pra processar informações sobre filmes, e os rankings na minha cabeça, mas este tende a ser insuperável em 2009.

inglouriousbasterds

bastardos-inglorios-536-02

landa

bastardos-inglorios-536-01

Querido diário – Ego (eca)

Hoje finalmente vou ver Bastardos Inglórios. Tô louca pra ver, adoro Tarantino. Kill Bill I e II (eu tenho), Pulp Fiction, Cães de Aluguel. Todos ótimos e bem peculiares. Adoro o modo de contar as histórias, as trilhas sonoras, adoro ver Tarantino em ação. Hoje estou indo com expectativa de ver um grande filme, o que não é nada recomendável, mas não creio que vá me decepcionar.

Diferente de ontem, quando fui conhecer a tal boite Ego, no Hotel Pestana. Decepção total. A sorte é que por conhecer alguém, que conhecia alguém, entrei sem ter que deixar os dois olhos no caixa, como me sugeriram. Sem querer detonar o investimento alheio, o lugar não promete. Deveria ter voltado ao 30 Segundos, teria sido muito mais divertido.

Amanhã, juro!

Eu devia atualizar isso aqui, né? Vamos aguardar só mais um diazinho?! A sexta-feira está um pouco abafada…

See you later!