Archive for Outubro, 2010

Deixe-se

Deixe-se emocionar.

Surpreender, compreender. Deixe-se ler, deixe-se desvendar. Deixe-se dançar, amar, embriagar, conhecer. Deixe-se enganar, apresentar, tocar, batucar. Deixe-se falar, ouvir, deixe-se calar e gritar.

Permita-se.

Balançar e cair. Chegar e sair. Esquecer, recomeçar, ficar e partir.

Permita-se sentir, cuidar, soltar, pular, correr.

Deixe-se encantar.

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Senhoras e senhores, Escapismo Genuíno

Que bom que os blogs existem. Sério, que bom, que coisa infinitamente enriquecedora a existência dos blogs. Quem será que teve essa ideia? Olha, parabéns, seja você quem for. Porque de repente as pessoas foram tendo ideias e criando blogs, e falando sobre elas, e sobre a vida, e sobre viagens, e sobre o mundo, e sobre a moda, e sobre tantas coisas! E um viva especial àquelas pessoas que se dedicam ao seu blog e fazem dele um lugar agradável no universo infinito da internet.

Todo esse introdutório é pra apresentar aos leitores do meu blog (aqueles que ainda não conhecem, obviamente) o Escapismo Genuíno de Adriana Lacerda. Conheci Teté (apelido criado pela própria) há alguns anos, embora nunca tenhamos sido próximas, até porque ela não para quieta! Mas depois que conheci o blog virei uma grande admiradora. Quando vocês entrarem no Escapismo Genuíno vão entender o porquê. É um blog dedicado essencialmente às muitas viagens que ela já fez e faz, mas no fim das contas é um blog de reflexões, não só sobre esses lugares, mas sobre as pessoas, sobre a vida, sobre cultura, sobre coisas grandes e coisas bobas.

Índia, Austrália, Bangkok, Barcelona, Chipre, Acre, Paris, Nova York, Chapada Diamantina, Berlin, Florianópolis, Cingapura, Cuba, Egito, etc, etc, etc.

Ela tem um olhar curioso e observador, e será interessante conhecer o mundo através dele. Experimente!

Escapismo Genuíno, de Adriana, @__tete__.

Sobre admiração, anseios e morte lenta

Outro dia conheci, através do twitter, um poema chamado “Morre Lentamente”. Ele foi retuitado por uma amiga (Adri), e achei interessante. Era atribuído a Pablo Neruda, e antes de retuitar fui apurar se era mesmo dele (vício jornalístico). Acabei encontrando uma grande controvérsia. Uns dizem ser dele, outros atribuem a Martha Medeiros, escritora gaúcha maravilhosa (cujo blog está linkado na seção “Para Ler” aí do lado). Acabei achando uma nota da Fundação Neruda desfazendo o equívoco, e afirmando que o texto não é dele, e sim de Martha Medeiros.

Aí a confusão piora! Porque encontrei dois textos diferentes. Mas como eu não sou dada a estes problemas menores (me perdoem os preciosistas, mas o poema é melhor que a questão do “DNA” do próprio), resolvi postar aqui o que mais me agradou, até porque as diferenças são mínimas.

Morre Lentamente

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos. Quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.”

Ah, como eu admiro verdadeiramente quem escreveu isso e quem se recusa a morrer lentamente assim.

*Atualização: O poema não é poema, é uma crônica de Martha Medeiros, e na verdade se chama “A Morte Devagar”, confirmei no próprio blog dela, aqui.

Primeiro Bazar Modesco!

A vida é tão doida, tão doida, que foi justamente aqui, no meu blog, que eu esqueci de postar sobre o Bazar Modesco, projeto no qual suei bastante nos últimos tempos! Eu já tinha percebido isso, na verdade me dei conta no dia do evento, mas só hoje consegui escrever algo.

Bom, o Bazar Modesco foi um evento realizado por mim e pela minha amiga Juliana Coelho, com o objetivo de realizar um “intercâmbio” de roupas e acessórios. Eu explico: a idéia surgiu quando de repente a gente percebeu que comprávamos muitas roupas mas não éramos apaixonadas por todas. E algumas dessas peças iam ficando cada dia mais ao extremo do guarda-roupa até que ficassem encostadas no canto e nunca eram escolhidas nas produções diárias ou festivas. Tipo na escola, quando a gente joga mal e é o último escolhido pra formar time. Então surgiu o seguinte pensamento: que tal reunir nossas amigas com o mesmo problema e colocar todas essas roupas numa roda? Assim eu posso trocar meu vestido que foi usado uma vez ou duas (a segunda por insistência ou puro peso na consciência mesmo) por algum outro que sirva perfeitamente em mim! Vai que tem alguém louco procurando meu vestido encostado?

Pronto, foi assim. Aí eu e Ju fomos nos movimentando, desenhando possibilidades, juntando idéias, sugerindo, sorrindo e pulando até que enfim estava desenhado o Bazar Modesco (nome ótimo que saiu da cabeça de Ju!). Conseguimos um espaço maravilhoso, de Tia Cristina (sogra de Ju), onde antes funcionava a loja Garagem, no bairro da Graça. Vários parceiros foram se juntando a nós (obrigada Adrielle, Óticas Impacto, Villa da Praia, CopyPlot, Beckham Fragrances, Studio Edu Domingos e Mercato Di Vino), e conseguimos fazer a coisa ficar bem arrumada e organizada e pudemos sortear muita coisa legal. Nossas amigas Taty Hayne, Thais Lage e Carol Barreto juntaram-se a nós e deram um inestimável apoio, da assessoria ao staff no dia! Contamos com a divulgação massiva do nosso chefinho querido Mário Kertész que falou do bazar na Rádio Metrópole todos os dias (mesmo chamando de brechó ordinário! Foi com carinho! hahaha). Et voilà. No último sábado, dia 16 de outubro, estávamos lá das 11 da manhã até 8 da noite felizes e faceiras, apesar do cansaço. O carinho de quem foi prestigiar nosso bazar aliviou o salto, a fome, a ansiedade. Nosso fotógrafo Marquinhos tirou muitas fotos lindas e está dando um trato nelas. Até que fiquem prontas, vou colocar aqui algumas que a fofa Chris Corcino postou em seu blog.

A coisa foi tomando corpo até que a idéia de trocar meu vestido por alguma blusinha encostada terminou assim:

A vitrine estava linda!

Acessórios e sapatos!

Pensou que eram fora de moda?

Organizado, viu!

Com direito a mimos!

Cantinho da Adrielli, da nossa parceira Aline Barros!

Quanta gente veio ver!

Amanda, Chris, Ju e eu

O título diz “Primeiro Bazar Modesco”. Se haverá outro, quando será…? Como será o amanhã? Responda quem puder!

You’ll just do it all again

On the Radio
Regina Spektor
* Pra quem precisar, tem tradução no Google! 🙂 *

“This is how it works
It feels a little worse
Than when we drove our hearse
Right through that screaming crowd

While laughing up a storm
Until we were just bone
Until it got so warm
That none of us could sleep

And all the styrofoam
Began to melt away
We tried to find some words
To aid in the decay

But none of them were home
Inside their catacomb
A million ancient bees
Began to sting our knees

While we were on our knees
Praying that disease
Would leave the ones we love
And never come again

On the radio
We heard November Rain
That solo’s really long
But it’s a pretty song
We listened to it twice
‘Cause the DJ was asleep

This is how it works
You’re young until you’re not
You love until you don’t
You try until you can’t

You laugh until you cry
You cry until you laugh
And everyone must breathe
Until their dying breath

No, this is how it works
You peer inside yourself
You take the things you like
And try to love the things you took

And then you take that love you made
And stick it into some
Someone else’s heart
Pumping someone else’s blood

And walking arm in arm
You hope it don’t get harmed
But even if it does
You’ll just do it all again

And on the radio
You hear November Rain
That solo’s awful long
But it’s a good refrain
You listen to it twice
‘Cause the DJ is asleep
On the radio”

And so it goes…

Uma casa portuguesa, com certeza!

Eu faço um quadro na Rádio Metrópole que se chama “Dia na História“. Nele eu conto diariamente fatos que de alguma maneira marcaram a humanidade (que pretensão!). Acontecimentos históricos, nascimentos e mortes de pessoas que foram importantes (claro que esse “importantes” é no sentido do coletivo). Todos os dias quando vou pesquisar esses acontecimentos para fazer o quadro me deparo com uma fonte infinita de histórias de guerras, casamentos reais, papas, concertos inesquecíveis, fatos políticos, músicas. Todo dia tem novidade, é ótimo.

No “Dia na História” de amanhã, eu registro a morte de Amália Rodrigues, uma maravilhosa cantora portuguesa, a quem ouço desde pequena porque meu pai de vez em quando escutava (e escuta ainda). E vou colocar lá um trechinho de “Casa Portuguesa”, um fado radiante.

E que coisa mais linda! A música tem um ritmo alegre, a letra dá um aconchego, uma sensação boa! E aí…

Ai, aí eu fiquei balançaaaada de vontade de conhecer Portugal! A cara de um lugar meio baiano, meio europeu, alegre, com personalidade, colorido, forte e ao mesmo tempo singelo. Será que é isso mesmo?

“Numa casa portuguesa fica bem
pão e vinho sobre a mesa.
e se à porta humildemente bate alguém
senta-se à mesa com a gente.

Fica bem esta franqueza, fica bem,
que o povo nunca desmente.
A alegria da pobreza
está nesta grande riqueza
de dar, e ficar contente.

No conforto pobrezinho do meu lar
há fartura de carinho.
e a cortina da janela é o luar,
mais o sol que bate nela…

Basta pouco, poucochinho pra alegrar
uma existência singela…
É só amor, pão e vinho
e um caldo verde, verdinho
a fumegar na tigela.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho à alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim

um São José de azulejo,
mais o sol da primavera.
uma promessa de beijos…
dois braços à minha espera.
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!”

Ora, pois!

Qual é a minha palavra?

Finalmente Comer, Rezar, Amar entrou em cartaz. Assisti, claro, logo no primeiro dia. Adorei, e na verdade não tenho vontade de fazer nenhuma crítica, embora haja coisas a pontuar, simplesmente porque eu sou apegada a essa história e sou parcial em relação a ela. Gosto. Ponto.

Pra quem não leu o livro, ou viu o filme, acho difícil não conhecer nada da história, tamanha a exposição que o assunto tem tido. Mas em linhas muito gerais é o relato de Liz, que logo depois de sofrer um divórcio muito traumático, engata um relacionamento complicadíssimo com um jovem ator. Cansada de sofrer e ao mesmo tempo de perder gradativamente a paixão pela vida e por ela mesma, resolve passar um ano viajando sozinha pela Itália (onde se entrega ao prazer de comer e viver), pela Índia (numa espécie de “mosteiro” hindu para rezar e encontrar Deus) e em Bali (onde a idéia era fechar o ano se maravilhando com o lugar, mas acaba conhecendo aquele que desperta novamente o amor em seu coração).

A questão é que desde então uma pergunta me assalta todos os dias: qual é a minha palavra?

Eu já falei sobre o livro aqui, e sobre como me encantei com essa história. Até por ter me identificado com o relato de Liz, e com esse anseio de viajar e me encantar pelo mundo (sobre o qual já falei aqui). Em determinado momento (no filme, porque no livro é um pouquinho diferente), em Roma, Liz e alguns amigos discutem sobre que palavra definiria, por exemplo, Londres. ARROGANTE, foi a resposta. E qual seria a palavra para Nova York? AMBIÇÃO, ou FULIGEM (no livro é o verbo CONQUISTAR). A palavra de Roma seria SEXO e a de Estocolmo CONFORMAR. Daí os personagens começam a questionar qual seria a palavra para cada um deles. E eu comecei a pensar em qual seria a minha palavra. Que palavra me definiria.

E que exercício difícil! Achar uma palavra, umazinha só, que defina você em todos os momentos. É claro que Londres não é sempre Arrogante, mas concordei com a palavra (levianamente, porque ainda não conheço a cidade) simplesmente porque tenho essa sensação sobre a capital inglesa. Acho que a palavra de NY é perfeita, Ambição, Conquistar. Encaixa nela sem fazer barulho. E que palavra se encaixa em mim sem ruído, sem atrito, sem objeção? ENTREGA? Diz muito sobre mim, mas não reflete meu lado que adora postergar medidas e providências. SONHAR? Parece quase perfeito, mas ainda não é isso. CINEMA, é uma palavra maravilhosa, sempre achei que a vida cotidiana parece roteiro de filme bom, e na minha não falta trilha sonora, mas não sei, tem algo na palavra que me faz crer que ela não me define, não é muito real. Talvez seja uma palavra que eu goste muito, talvez alguma coisa que eu ainda nem imagine. Enfim, não sei.

As amigas que foram ver o filme comigo também estão se perguntando isso. Até agora ninguém descobriu a palavra certa. Uma delas até pontuou que não quer a palavra dela ainda, porque ela acredita que nesse momento a palavra não seja boa, que talvez seja melhor que ela seja definida em outra situação. Cada um com suas elocubrações.

Eu queria minha palavra. Mas como aconteceu no filme com Liz, que a palavra chegou na hora exata, de maneira leve, e que sem o menor sacrifício percebe-se que é a palavra perfeita, espero que seja comigo. Acho que minha palavra ainda está sendo escrita.

Liz Gilbert