Archive for the ‘Criações’ Category

Turva angústia

Para ler ouvindo: Cajuína

Existirmos: a que será que se destina?

O que será de cada passo cego que se dá diante do escuro desconhecido?
Sem medo, andar em direção ao que não se sabe: a que será que se destina?
Se é que finalidade existe, qual será ela e por que não se apresenta?
A angústia da espera, será que objetiva?
Turva a vista, desesperada e ansiosa.
Coragem e cegueira.
Anda.

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Deixe-se

Deixe-se emocionar.

Surpreender, compreender. Deixe-se ler, deixe-se desvendar. Deixe-se dançar, amar, embriagar, conhecer. Deixe-se enganar, apresentar, tocar, batucar. Deixe-se falar, ouvir, deixe-se calar e gritar.

Permita-se.

Balançar e cair. Chegar e sair. Esquecer, recomeçar, ficar e partir.

Permita-se sentir, cuidar, soltar, pular, correr.

Deixe-se encantar.

Primeiro Bazar Modesco!

A vida é tão doida, tão doida, que foi justamente aqui, no meu blog, que eu esqueci de postar sobre o Bazar Modesco, projeto no qual suei bastante nos últimos tempos! Eu já tinha percebido isso, na verdade me dei conta no dia do evento, mas só hoje consegui escrever algo.

Bom, o Bazar Modesco foi um evento realizado por mim e pela minha amiga Juliana Coelho, com o objetivo de realizar um “intercâmbio” de roupas e acessórios. Eu explico: a idéia surgiu quando de repente a gente percebeu que comprávamos muitas roupas mas não éramos apaixonadas por todas. E algumas dessas peças iam ficando cada dia mais ao extremo do guarda-roupa até que ficassem encostadas no canto e nunca eram escolhidas nas produções diárias ou festivas. Tipo na escola, quando a gente joga mal e é o último escolhido pra formar time. Então surgiu o seguinte pensamento: que tal reunir nossas amigas com o mesmo problema e colocar todas essas roupas numa roda? Assim eu posso trocar meu vestido que foi usado uma vez ou duas (a segunda por insistência ou puro peso na consciência mesmo) por algum outro que sirva perfeitamente em mim! Vai que tem alguém louco procurando meu vestido encostado?

Pronto, foi assim. Aí eu e Ju fomos nos movimentando, desenhando possibilidades, juntando idéias, sugerindo, sorrindo e pulando até que enfim estava desenhado o Bazar Modesco (nome ótimo que saiu da cabeça de Ju!). Conseguimos um espaço maravilhoso, de Tia Cristina (sogra de Ju), onde antes funcionava a loja Garagem, no bairro da Graça. Vários parceiros foram se juntando a nós (obrigada Adrielle, Óticas Impacto, Villa da Praia, CopyPlot, Beckham Fragrances, Studio Edu Domingos e Mercato Di Vino), e conseguimos fazer a coisa ficar bem arrumada e organizada e pudemos sortear muita coisa legal. Nossas amigas Taty Hayne, Thais Lage e Carol Barreto juntaram-se a nós e deram um inestimável apoio, da assessoria ao staff no dia! Contamos com a divulgação massiva do nosso chefinho querido Mário Kertész que falou do bazar na Rádio Metrópole todos os dias (mesmo chamando de brechó ordinário! Foi com carinho! hahaha). Et voilà. No último sábado, dia 16 de outubro, estávamos lá das 11 da manhã até 8 da noite felizes e faceiras, apesar do cansaço. O carinho de quem foi prestigiar nosso bazar aliviou o salto, a fome, a ansiedade. Nosso fotógrafo Marquinhos tirou muitas fotos lindas e está dando um trato nelas. Até que fiquem prontas, vou colocar aqui algumas que a fofa Chris Corcino postou em seu blog.

A coisa foi tomando corpo até que a idéia de trocar meu vestido por alguma blusinha encostada terminou assim:

A vitrine estava linda!

Acessórios e sapatos!

Pensou que eram fora de moda?

Organizado, viu!

Com direito a mimos!

Cantinho da Adrielli, da nossa parceira Aline Barros!

Quanta gente veio ver!

Amanda, Chris, Ju e eu

O título diz “Primeiro Bazar Modesco”. Se haverá outro, quando será…? Como será o amanhã? Responda quem puder!

Frases ácidas

Tem algumas frases que eu ouço, que na mesma hora me vem a ideia de colocar no blog. Aliás, blog é um vício. Eu agora praticamente acordo e durmo como se estivesse vivenciado um post. Mas voltando às frases, eu ando copiando algumas delas no celular (meu novo equipamento bloguístico) pra não esquecer. E pretendo listar algumas delas por aqui. A possibilidade de ninguém achar graça é grande, mas é uma questão de satisfação pessoal!

Vamos lá:

– “A altura que a mulher eleva o braço na hora de dançar numa boite, revela o nível de disponibilidade em que ela se encontra. Se dança com os braços à altura dos ombros, está curtindo na dela; se joga ao nível da cabeça está querendo novidades, e se lança os braços para o alto tá fácil, fácil”.

(de Nanci, depois de observar ao redor em uma dessas noites aí).

– “Gente! Nunca mais usei esse vestido!”

(de uma amiga que não vou identificar por motivos óbvios, ao ver uma foto inédita onde ela estava com um ex. Antes de ouvir a pérola, eu cerrei os olhos, porque achei que ela fosse sofrer com as lembranças).

– “Meu deus! Descobri que a vida virou apenas um pretexto para tirar fotos e colocar no facebook!”

(Minha mesmo, ao descobrir que até pra ir ao banheiro de um bar ou andar na calçada pergunto se alguém trouxe “a máquina” – deve ser grave).

“Se eu fosse mais inteligente, seria uma excluída da sociedade!”

(Nanci, depois de uma conversa comigo e Paulinha sobre a incompatibilidade entre ser inteligente e ser feliz, com direito a contos de Voltaire entre uma pipoca e uma jujuba).

“Já tá difícil desse jeito!”

(Eu, ainda sobre o mesmo assunto, e mandando a modéstia pra casa do car*&@#).

Promessa é dívida!

Eu acho uma graça essa propaganda da Activia. Mulheres sem barriga nenhuma querendo que a gente acredite que elas são assim porque “os intestinos funcionam” direitinho (ficou mais legal assim do que dizer o verbo em si, né). E pra quem tem intestino preguiçoso (leia-se “prisão de ventre”) a moça loira diz: Use Activia por 14 dias. Se não resolver receba seu dinheiro de volta.

Tal promessa desencadeou em mim e na minha amiga Elen a seguinte elocubração:

Entra no supermercado uma pessoa. Mal dá pra ver que é uma mulher, uma vez que usa sobretudo, chapéu e óculos escuros. Só os sapatos entregam o gênero. Ela se aproxima da funcionária “Posso ajudar?” e pergunta onde é a gerência. “Posso ajudar?” responde que o gerente fica zanzando na loja (ela não disse zanzando, disse observando o funcionamento da loja). A criatura disfarçada chega até ele, que está cercado de pessoas que futucam frutas e verduras, procurando as melhores. Disfarçada fala com ele. Tão baixo que mal se ouve um ruído:

– Quero meu dinheiro de volta – e mostra um saquinho com uma série de rótulos de Activia, junto com as notas fiscais, que provam que ela comprou tudo ali.

Mas Gerente obviamente não consegue ouvir. Acostumado com o ruído da loja, e todo mundo que trabalha com ruído acaba ficando meio surdo, pergunta bem alto:

– Como é que é, minha senhora? – ele estranha toda aquela roupa, e faz uma cara de quem tá um pouco desconfiado.

– O dinheiro, eu quero de volta… – um pouco mais alto desta vez.

– Que dinheiro, minha senhora? – Gerente, meio bruto, já de braços cruzados, começa a não gostar. Falou em devolver dinheiro…

– Não seria mais adequado conversar em uma sala reservada? – pergunta nossa querida-pobre-coitada.

Gerente foi logo adiantando o papo e pedindo pra ela desembuchar de uma vez.

Disfarçada, já estressada pelos 14 dias difíceis que teve que passar no banheiro e assustada com toda a situação, quase chora… É aí que tudo piora. É que Gerente, infelizmente, entendeu a situação toda.

– Ahhhh!! A senhora quer seu dinheiro de volta! Aquele lance do iogurte pra quem não caga bem!

Disfarçada derrete, vira uma poça de água no chão, e a moça da limpeza, para evitar acidentes, traz a plaquinha: Cuidado, piso molhado…

Mas a situação pode ser pior, se a mulher enganada for do tipo barraqueira. Aí ela chegaria já perguntando a “Posso ajudar?” onde é que ela pega o reembolso do Activia que prometeu que ela ia cagar direito e não cumpriu.

Tsc, tsc, tsc. Quem criou esta campanha constrangedora fez de propósito. Eles sabem que nenhum ser que se respeite vai cobrar esse reembolso, ora, faça-me o favor!

Cada um com seus problemas

– Oi!

– …

– Tá sempre por aqui?

– Jura que vai atacar com essa cantada?

– Não, é sério, é que acho que não é a primeira vez que te vejo.

– Nunca estive nesse bar.

– Então deve ter sido em outro bar, mas tenho certeza de que já te vi. Ou talvez a gente tenha sido colega de escola… você não estudou no Instituto da Infância Alegre?

– Não.

– Então é da academia… Malha na Perfect Body Fitness?

– Não.

– Trabalha na Rua do Ornitorrinco? Toma café na Pão Quentinho? Faz compras no Barato Diário?

– Não, não e não.

– Não pode ser. Nunca esqueço um rosto quando o vejo uma vez.

– Olha, me desculpe, mas a gente não se conh…

– Claro! Lembrei! Já sei de onde te conheço!

– Lá vem. A resposta é não…

– Você estava presa no mesmo engarrafamento que eu ontem! Na Avenida Grand Ville! à altura da Pão Quentinho!

– Antes ou depois do semáforo??

– Antes, mas você conseguiu passar no sinal amarelo, um babaca me fechou e eu fiquei.

– Era meu noivo, ele estava me seguindo. Ele anda desconfiando de mim.

– Ele te segue? E você sabe? Ele sabe que você sabe?

– Eu finjo que não sei. Mas ele não disfarça. Vive no meu encalço.

– E onde ele está agora?

– Ficou lá fora. Não olhe agora, está de camisa preta com um número estampado atrás.

– Tô vendo uma camisa com número 24, mas é rosa. Brincadeira, estou vendo ele.

– Voilà.

– Isso está esquisito. Seu noivo lá fora te vigiando, você aqui sabe disso, está conversando com um estranho há uns 10 minutos e tudo bem?

– Ele veio arrumar pretexto pra me vigiar, estou dando!

– Então vem cá que eu te dou um pretexto melhor…

– Se triscar em mim leva!

– Qual é, você está a fim…

– Me solta! Detesto barba no meu pescoço! Não aperta minha cintura desse jeito senão eu grito… Não faz assim!!

– Tudo bem, tem razão, seu noivo parece meio chateado.

– Meu noivo…?

– Sim, está olhando em nossa direção, cara de pouquíssimos amigos.

– Ele não é violento…

– Mas isso não está certo, afinal eu já sei que você é noiva, eu não me envolvo com mulheres comprometidas. Foi um erro estar aqui até agora… me desculpe, é melhor eu ir.

– Eu é que dei muita trela, a culpa não é sua, fique tranquilo, ainda não acabou seu drink!

– Tudo bem, eu vou dirigir mesmo…

– Se você for vou me sentir culpada! Acho que fui meio rude!

– Imagina, eu é que fui inconveniente. Seu noivo é seu noivo.

– Eu não sei se ainda amo meu noivo!

– Diz isso pra ele.

– Você não entendeu! Estou me sentindo sufocada, perseguida, invadida! Quero uma emoção nova!

– Você é maluca, seu noivo também! Eu hein?!

– Vem cá! Senta aqui! Não vá embora!

E ele foi sem olhar pra trás.

Ela pagou a conta, saiu do bar, deu as mãos ao noivo, beijou-o calorosamente na boca. Os dois entraram no carro e foram pra casa fazer loucuras e dormir em paz.