Archive for Junho, 2010

Cadê o SAC??

Se eu acreditasse mesmo em psicografia, ia querer que Saramago continuasse mandando umas coisas de lá pra cá. Mas eu nunca vi um escritor realmente bom e reconhecido mandar nada na “mão e contra-mão”, só uns espíritos com nomes que terminam em “us”, Lucius, Antonius, Leôncius, que ninguém nunca viu. Então deixa tudo do jeito que está, que ainda tem um monte de livros dele pra ler. Escritos em vida. Nessa vida.

Ontem fiz aniversário de novo. Eu acho o máximo fazer aniversário, só não concordo que a gente tenha que envelhecer concomitantemente. Eu, por exemplo, não vi esse tempo todo passar. 31 anos? Aonde (baianidade total)! Não passou isso tudo mesmo! Deve haver um SAC das idades registradas a mais por engano. Vou procurar no Google.

Por falar em Google, ontem alguma “mina” ou algum “mano” chegou ao meu blog digitando o seguinte no Google: “Como uma mina quer ser catada na adolescência”. Catada?? No meu tempo (ih, acho que 31 anos realmente passaram) na pior das hipóteses o povo “pegava” alguém. Hoje o povo “cata”. Mas esse negócio de catar é oficial? É aceito? Tipo “tô interessada nele, será que ele vai me catar?”, ou “e aí, tô querendo te catar hoje”? Acabo de descobrir que tenho um problema, “vai te catar” é uma das minhas frases prediletas. Será que agora perdeu o sentido? Em caso positivo, peço às pessoas que acham que “catar” tem algum fundo romântico que me ensinem como é que eu mando alguém “se catar” agora, ok? Preciso me atualizar.

E esqueçam o SAC, começo a aceitar a realidade.

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Até que eu consiga dizer algo

Meu consolo é saber que esses caras não morrem.

Cenas de consultórios

E então eu cheguei à sala de espera do médico, entreguei carteirinha, identidade, e a moça me mandou sentar pra esperar ser chamada. Ok. Me virei para as cadeiras da sala de espera, tinha umas quatro pessoas sentadas. Todas com aquelas caras de tédio que a gente fica quando vai ao médico. Geralmente tem uma pessoa mais idosa que adora conversar, uma mulher com uma criança pentelha que corre pra lá e pra cá o tempo todo e mexe em tudo que não pode, um cara faltando o trabalho que olha pro relógio a cada cinco minutos, e alguma outra criatura esparramada na cadeira, com cara de zumbi, assistindo a televisão que sempre, sempre, sempre está em algum canal ruim, com imagem chuviscada e som ou muito alto ou muito baixo.

Sentei do lado da esparramada. Era a que menos me oferecia risco de querer puxar assunto. Que tipo de papo pode ser interessante num contexto como esses, no consultório de um cardiologista? “Você teve dor no coração mesmo ou foi formigamento?” “Não, eu tive pontada.” “Ah, pontada é mau sinal, você tem que ver isso”. “Foi pra isso que eu vim”, “Ah, ok”. Isso não pode ser interessante, não tem nenhuma chance. Ninguém conversa sobre o filme de Woody Allen que está em pré-produção, nem sobre quem tuíta coisas mais engraçadas, nem nada. Então o mais seguro a fazer é evitar as pessoas que aparentam disposição para interações repentinas.

Pois bem. Estou bem lá sentada olhando o guri que não para quieto e a mãe dele que já tentou de tudo pra que ele se sente, sem conseguir, e eis que entra um cara diferente no recinto. Todo mundo se volta pra ele por alguns segundos até que ele deixa de ser novidade e todos voltam às suas rotinas. A mãe do guri se vê obrigada a conversar com a velhinha que insistia em puxar assunto, o apressado já levantou e foi tomar cafezinho três vezes, e a esparramada escorregava cada vez mais em sua cadeira. Mas o novato me chamou a atenção. Ele vestia uma roupa tão friamente calculada que não pude deixar de reparar. Bermuda branca – com detalhes vermelhos – sobre os joelhos (acho isso tão coroinha), camisa branca sem manga com frisos vermelhos, tênis branco e vermelho. Até uma fita vermelha do Senhor do Bonfim ele tinha amarrada ao pulso. As meias estavam dobradinhas com dois dedos de altura, iguais. Era metódico até a alma. Cabelos milimetricamente cortados. Chegou e foi falar com a atendente. Magrinho, coitado, parecia que ia quebrar. A impressão era reforçada pelo estilo frágil de falar e questionar todo o procedimento que estava prestes a fazer com o médico. A voz mal se ouvia. Eu observava o super certinho até que enfim consegui ler o título do livro que ele segurava: Loucos por Aventuras Radicais. Um cara malhado e bronzeado saltando de páraquedas era a imagem na capa. Achei tanta graça do paradoxo que dei risada sozinha. A esparramada olhou, se aprumou na cadeira, a velhinha se voltou pra mim e quase queria saber o motivo do riso, o guri não viu nada e continuou correndo e se batendo nas coisas. E a vida continuou seu rumo.

Agora há pouco meu amigo Rafael contava no twitter que estava na sala de espera de um médico e tinha um guri inquieto usando um short igual ao de Serginho do BBB. Uma vez eu estava em outro médico e na TV passava só o Menu do DVD de Vanessa da Mata, com aqueles trechinhos de música que duram 30 segundos e se repetem infinitamente. Ninguém apertava play. Eu tive que pedir pelo amor de Deus pra alguém fazer isso, sob o risco de ficar maluca. Sala de espera de consultório médico é mesmo um lugar insalubre.

Cruz credo

Há alguns dias venho pensando sobre pessoas que passam seus dias e semanas reclamando. De tudo, de tudo mesmo. Isso é um hábito, eu acho. Reclamando da temperatura, do jeito que alguém disse alguma coisa, do jeito que alguém não disse nada, quando elas acham que algo deveria ter sido dito, reclamando sempre de uma dor, de fome, de sono, de preguiça, reclamando quando ninguém faz nada, reclamando quando alguém faz alguma coisa. Tá sempre tudo muito mal feito, não serve, era melhor nem ter feito. Eu não estou falando de ninguém especificamente, mas tenho visto muitas pessoas mostrarem um pouco desse comportamento.

Outra coisa que tem me incomodado muito ultimamente é ver como algumas pessoas não deixam passar uma única oportunidade de apontar o erro de alguém. Qual o propósito de ficar sempre procurando os deslizes dos outros só pra dizer “você errou”, como se aquilo representasse um troféu? O pior é que muitas vezes esse que aponta é que está errado! Eu penso que pessoas que agem assim, apontando a todo momento erros e defeitos dos outros, estão tentando encontrar alguma maneira de se sentir melhor com os seus próprios erros e defeitos. Não é uma questão de ninguém poder dizer “você se equivocou”. É claro que isso acontece, natural, você vai lá, observa, corrige e agradece. Eu mesma, sou muito chata às vezes, nos meus piores dias eu reclamo bastante, implico, fico mal humorada, falo besteira. Mas não é desses dias e fases que eu tô falando. Eu tô falando da postura recorrente, do hábito, e da sensação de “ganhei” quando a outra pessoa erra ou diz algo que não se quer ouvir.

As pessoas perdem um tempo precioso sendo assim, enquanto poderiam tentar ser pessoas melhores. Mais tolerantes, mais simples, centradas em suas próprias vidas, seus problemas, seus prazeres, sem ter que criar uma zona negativa entre si e os outros. Se não pode ser positivo, seja neutro. Não deve haver coisa pior no mundo que você chegar em algum lugar e todos os outros pensarem: “lá vem, daqui a pouco começa a implicar com alguma coisa”. Cruz credo.

Bienvenu, Rafael!!

O mundo acordou mais rico, lindo, cheiroso e promissor hoje! Meu sobrinho Rafael nasceu, irmão de Esteban, de quem já falei aqui e aqui! Rafael veio com muita sorte. Primeiro porque o pai dele, Pierrick, que é francês, queria que ele se chamasse Ermerindo, e no final ele ficou sendo Rafael (ou seja, virado pra Lua! – Se tiver algum Ermerindo lendo, essa é a parte em que ele para de ler e eu fico com alguma vergonha). E segundo porque ele viria de parto normal, mas o cordãozinho umbilical estava enroladinho, então o parto não pôde ser normal. A sorte não é ter passado por isso e nascido numa cesariana, é ter nascido bem e com saúde mesmo com esse contratempo. Agora ele está lá, dormindo, descansando depois de toda essa confusão de nascer, que já deve ser uma trabalheira! Nem liga se a Argentina estava ganhando da Nigéria lá na África na hora em que ele nasceu, nem se a França, país dele, empatou com não-sei-quem. Ah, Estebinho está todo feliz. A todo mundo que passa ele diz “regarde le petit-frère d’Esteban!!” ou “olha o irmãozinho de Esteban!” Deu beijo e tudo. Quando eu liguei pude ouvir Estebinho gritando:

– Regarde, maman! Le soleil! – Olha mamãe, o sol!

E a mamãe dele disse:

– É, meu amor, o sol! Mas ó, sshhhh, que o petit- frère tá dormindo!

Então me digam, o mundo acordou ou não acordou mais lindo hoje?!

Nada que preste

Eu não aguento mais escrever coisas e apagar. Virei uma carrasca de todos os meus textos.

OH CÉUS! Será este bloqueio eterno??

Kid Sabedoria (*)

A pessoa viaja pro exterior pela primeira vez na vida e fica encantada com a Europa (essa história é verídica). Sai uma vez pra ir à padaria perto da casa onde está e na volta enche o peito e diz empolgado:

– Eu não me perco aqui nessa cidade. Já entendi o mecanismo todo.

Os outros olham desconfiados. Com cara de quem está pensando “eu não apostaria um cruzeiro-novo nisso.” E ele completa, mostrando a estratégia que traçou, just in case.

– Se por acaso eu me perder, pergunto a alguém Oh moço, onde fica a Rua Arthur Rimbáude? E pronto!

Gargalhada geral. É que ele nem percebeu que ninguém naquele país entenderia Oh moço, nem onde fica, e nem a Rua Arthur Rimbáude, que lá eles conhecem como Rambô.

Oi, meu pai! Falando em viagens, tudo bem aí na França?

rsrsr

* O Kid Sabedoria é uma pequena piadinha interna, com a vossa licença!