Archive for Abril, 2012

Miss you, love

Pra ler ouvindo Miss You, Love (nossa música!)

Estou convencida de que os momentos que a gente vai lembrar pra sempre na vida são aqueles que parecem ser mais banais. Que passam batidos pra todas as pessoas que não estão envolvidas neles. Estou dizendo isso porque hoje é aniversário da minha irmã, Railene, a quem eu chamo de Pyl, Pel, Pelga, Acelga, Welma, e tantos outros nomes malucos que ninguém entende, mas ela entende, e é isso que me importa. Morro de saudade dela todos, todos os dias. Ela mora na França, essa danada, mãe de Estebinho e Rafinha. Eu tenho uma infinidade, diria a maior coleção do mundo de momentos lindos e inesquecíveis com minha irmã. Grandes e pequenos. Eu não exagerei, devem ser mesmo infinitos. Mas um, unzinho em especial, me marcou de uma forma inexplicável. E é esse que eu vou contar.

Era uma festinha de aniversário infantil, “lá embaixo”, no nosso prédio. As crianças estavam eufóricas, ia começar o rasga-saco. Havia muitos meninos, algumas meninas, e nós duas. Ela é dois anos mais velha que eu, “a protetora”. Todos estávamos ansiosos pra começar logo. Lembro de repetir “quero um pirulito 7 Bello!” Devia ser meu preferido. Ou era pirulito Zorro, sei lá. Eu queria um pirulito. Confesso que eu sentia um medinho do rasga-saco, de apanhar dos meninos maiores, de ser empurrada, de não conseguir pegar nada. Uma montanha de sentimentos bem infantis, e totalmente explicados, eu era criança, tipo cinco anos.

Não lembro direito como era o processo, o fato é que tinha um saco enorme que ficava suspenso, recheado de doces e brinquedinhos, e tínhamos que rasga-lo, e depois todo mundo se amontoaria pra pegar o que caísse. “Um, dois, três e já”. Eis que na confusão o saco rasgou, caiu um monte de coisas no chão e lá fomos nós. Eu fiquei na briga. Me joguei no meio, mas como era de se esperar não consegui pegar nada, ou quase nada. Um apito, uma bala, uma bobagem insignificante. Ela veio com algumas coisas, mas também não conseguiu muito. Os moleques eram do tipo pestes que não sabem brincar. Homens…

Aí ela viu que eu não peguei o pirulito e ficou desapontada. No decorrer da festa a mãe do aniversariante veio com uma sacolinha que tinha mais doces dentro e logo começou uma fila de crianças, sempre querendo mais. Rai pegou minha mão e disse “venha, Dele”.

Fui. Eu olhava pra ela, mão dada, ela olhava pra frente, decidida. Ia resolver aquilo pra mim. Segurava firme minha mão. Ficamos na fila. Não era pirulito. Quando chegou nossa vez ela disse “eu queria saber se ainda tem pirulito 7 Bello, Dele queria um, mas não conseguimos pegar”. A mãe do garoto sorriu, foi lá dentro, na volta disse “sorte, era o último!” E eu ganhei meu pirulito.

Momento emoldurado e guardado pra sempre. Intocável e imbatível.

Ela:

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Caminha, Brasil

O assunto é espinhoso e eu sei que ele suscita os ânimos e princípios mais profundos. Mas eu vou entrar no debate, e deixá-lo aberto aqui, para quem quiser opinar, qualquer que seja a opinião – é claro.

Fiquei feliz com o resultado da votação no Supremo Tribunal Federal, da liberação do aborto em casos de anencefalia. É positivo ver que as mães não serão mais obrigadas a seguir em frente numa gravidez onde o sofrimento é certo, já que a sobrevida de bebês sem cérebro é de no máximo 24 horas, na maioria dos casos. Ela poderá escolher. Isso que é o mais importante. Porque ela sempre poderá, e isso é um direito inalienável, querer ter a gravidez completa, dar à luz, viver com ele cada segundo de sua vida. Dar, nesse tempo em que estará junto a ele, todo o amor que nutriu a vida inteira por aquele que seria seu filho, e durante a gravidez. Mas a vida dele será curta, e triste. O bebê anencéfalo não desenvolve o cérebro, nem o crânio. Nesses casos, o bebê tem apenas a estrutura suficiente para manter os batimentos cardíacos e a respiração. Não existe cognição, quer dizer, ele não sente, não vê, não ouve, não reage. A nenhum estímulo, nem de prazer, nem de dor. Tudo isso é processado no cérebro, que ele não desenvolveu. Ele nasce para viver pouco, e terá uma vida difícil.

E é aí que entra o Estado, permitindo que a mulher decida se terá ou não condições psicológicas de continuar a gravidez ou se prefere interromper. É a possibilidade de escolher, de decidir. Isso é grande. Acho que o Brasil dá um passo à frente. Agora é permitido o aborto em casos de estupro, em caso risco para a vida da mãe e em casos de fetos sem cérebro. Que as pessoas tenham o discernimento de compreender que isso faculta à mulher a decisão sobre a vida dela e do bebê. Ou do feto, como preferem chamar. E antes de terminar, fico satisfeita também em ver que que esta decisão reafirma a separação entre Estado e Igreja, já que o Brasil é um país laico, ou seja, o governo não é ligado a nenhuma religião. Até porque religiões não têm mesmo um histórico positivo quando de trata de governos, maiorias e obrigações.

Caminha, Brasil.

Pão mofado não tem jeito

Há momentos em que eu me odeio. Eu seria o tipo de pessoa que chamam de “loser” nesses momentos. Que tipo de gente compra dois sacos enormes de pão, deixa os dois fora da geladeira, olha pra eles todos os dias pensando “que dia será que eu vou olhar pra eles e vou perceber que estão mofados?” e continua sem colocar na geladeira? Eu! Eu sou esse tipo de pessoa. E o dia foi hoje. Sábado de aleluia. Aleluia, o que imaginava aconteceu, o pão mofou. Glória a Deus, o pão cumpriu sua missão de mofar. Toma aí, saco de lixo, sete reais de pão mofado.

Aí abri e geladeira, onde deveria estar o pão, e passo o olho pra ver o que será que substitui o pão. Tinha queijo, peru, salsicha, requeijão cremoso. Ótimos acompanhamentos pra comer… com pão. Dei um jeito, fui de biscoito. Ser dona de casa é “a arte de dar um jeito”.

Por exemplo, acordei e sabia que precisava dar um jeito na casa. O quarto estava escurinho, a tv ligada, o clima fresquinho. E a casa bagunçada. Fiz tanto esforço para vencer a preguiça, mas tanto esforço, que fiquei com dor de cabeça. Quem arruma casa com dor de cabeça? Eu. Quer dizer, arrumei assim, dei um jeito.

E enquanto dava um jeito na casa, morria de pressa pra vir escrever alguma coisa. Sei lá, achei que tinha algo muito importante pra dizer. Terminei tudo, sentei aqui e saiu isso. Esperei, esperei pra ver se a inspiração vinha, mas não teve jeito.

Por hoje é só pessoal.