Archive for Julho, 2011

Me diga, gato…

Para ler ouvindo Branco Gato (Luciano Salvador Bahia)

Num dos muitos duelos musicais que fiz com meu amigo Vinícius (alô, Canadá), ele me nocauteou com essa música. Eu devolvi, ataquei de Sideways (Citizen Cope e Santana). Mas tenho que confessar que o golpe dele foi preciso: desde então Branco Gato não saiu mais da minha cabeça. E é engraçado, porque, ao contrário de quase todo mundo que eu conheço, eu sempre preferi gatos a cachorros. Eu sei, eu sei. Mas eu avisei, “ao contrário de quase todo mundo que eu conheço”.

Vejam bem, eu adoro cachorros. O jeito amigo, carinhoso, companheiro, quase um parente, às vezes mais até do que isso. Eu entendo, concordo. Mas os gatos…

Esses eu admiro e respeito profundamente. O gato é sensual, independente, exigente, dengoso, charmoso. Fora que é lindo. Ele tem um ar de superioridade. Ele vem, se encosta em você, de um jeito que você não resiste. E quando ele não quer mais, ele simplesmente sai. Ele só respeita a própria vontade. É o cúmulo da independência. Ele se espreguiça, desfila, se dá banho, se deita. E eles sabem sim, ser muito fofinhos e lindinhos e carinhosos. Quem resiste aos seus encantos?

Gato não é traidor, ele só não é submisso. Gato não rói osso, ele quer muito mais. Quando se sente ameaçado ele ameaça de volta. Se defende, se garante. É uma personalidade admirável, a de um gato. Só cai em pé. E se por acaso se der muito mal, pode ficar bem tranquilo com as próximas seis vidas que ainda vai ter pra continuar vivendo esparramado a sua vida vã.

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Losing game

Para ler ouvindo Love is a Losing Game.

Ando triste por causa da morte de Amy Winehouse. Algo nessa notícia desencadeou em mim um processo estranho. Estranho e desanimador. Por que quase todo mundo só viu nela uma pessoa bizarra? Ninguém tem ouvido não? Ninguém tem sensibilidade não? Lamento por toda essa gente. Perdeu de se encantar e muito com a menina cheia de arte que ela foi. E é isso que me importa. E quem fala dela, tá satisfeito consigo? Em tudo? Se acha o exemplo da humanidade? Parabéns. Eu não sou. Estou bem longe disso. Senti profundamente sua morte, senti até uma pena grande dela. Pena mesmo.

Ouvindo “Love Is a Losing Game”. E vou deixar todas as reflexões que eu queria fazer para outra hora, porque essa música não me deixa pensar em mais nada.

Tim Tim – Um brinde ao tempo

Um brinde ao relógio, que não pára. Às oportunidades que temos a sabedoria de enxergar, e às que perdemos. Às lições que elas nos ensinam. Ao relógio, que ele nos dê tempo de perceber que o tempo passa. Às novas possibilidades que se apresentam, aos ciclos, que se renovam.

Hoje eu quero brindar ao relógio, que trabalha pra fazer brotar a felicidade, abrir o sol, despertar paixões, clarear a mente, curar dores, trazer experiências, transformar sentimentos. Brindo à habilidade do relógio de quase parar o tempo. Pra que a gente possa viver eternamente um breve instante perfeito. E à habilidade de mudar tudo quando a gente “menos espera”.

Por fim, brindo pra que ele ensine algo. Ele sempre tem algo a ensinar. Às vezes pra aprender é preciso calma e tempo, mas com cuidado – ou brindaremos às oportunidades perdidas para sempre.

Proponho um brinde à passagem do tempo! Topa?

Turva angústia

Para ler ouvindo: Cajuína

Existirmos: a que será que se destina?

O que será de cada passo cego que se dá diante do escuro desconhecido?
Sem medo, andar em direção ao que não se sabe: a que será que se destina?
Se é que finalidade existe, qual será ela e por que não se apresenta?
A angústia da espera, será que objetiva?
Turva a vista, desesperada e ansiosa.
Coragem e cegueira.
Anda.