Archive for Agosto, 2010

Verde, vermelho e sépia.

Então o “homem de vidro” abre o armário e mostra a Amelie as cópias que faz do quadro “O Almoço dos Barqueiros”, de Renoir.

O Almoço dos Barqueiros

“- Faço um por ano. Há 20 anos. O mais difícil são os olhares. Às vezes tenho a impressão de que mudam de propósito de humor assim que viro as costas.

– Agora parecem felizes da vida…

– E devem! Esse ano comeram coelho com cogumelos. E teve bolinho com geléia para as crianças.”

É tão lindo, é brilhante. É um mundo onde as pessoas no quadro mudam de humor a cada dia, onde as crianças comem bolinho com geléia no almoço. Onde um homem pode dizer isso a uma jovem que mal conhece e ela não o acha um esquizofrênico. E ele não a acha metida demais que não possa ver os seus preciosos quadros. É um mundo verde e vermelho, às vezes meio sépia, esse de Amelie Poulain. Onde fazer valer a vida de pessoas desconhecidas é um fabuloso destino.

Outro dia li no blog de Pedro Neschling um texto lindo, que falava sobre o fim do romantismo. Romantismo não no sentido de relacionamentos amorosos, mas um jeito delicado de encarar a vida. Esse, que sobra em “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”. O texto é maravilhoso, vale a pena ler.

E como Neschling diz em seu texto, eu também não tô achando esse nosso mundo legal. Me incomoda especificamente o modo como as pessoas esqueceram como se faz pra respeitar umas às outras. E não sabem como é interessante e rica a experiência de conhecer alguém. Com todas as suas características próprias, com toda a infinidade de nuances que aquela pessoa carrega consigo. E como às vezes a gente quer que elas sejam algo que a gente moldou pra encaixá-las dentro. É a nossa velha mania de idealizar as pessoas e as coisas.

Escrevi bastante sobre o motivo exato que me levou a escrever tudo isso mas apaguei, porque percebi que pouco importa, porque sempre me pego pensando sobre como as pessoas deixaram de respeitar as outras. Perderam a capacidade de se encantar, e compreender. Exigem. Cobram. Querem. Julgam por tão pouco. Mas o fato é que ninguém pode exigir que você seja deste ou daquele jeito. Ninguém tem o direito de dizer o que você pode falar ou pensar. Ninguém pode cercear uma liberdade que é sua, ninguém tira.

Eu me incomodo demais com isso. Outras pessoas dizem “por que você se irrita? Por que se incomoda? Esquece!” e tá certo, seria o melhor a fazer. Mas me incomoda sim, profundamente, constatar que é assim que as coisas são. E enquanto isso me incomodar vou saber que não passei a ser igual. As pessoas não se respeitam, e, como remédio, a gente não dá a mínima? Não. Meu jeito de protestar é me incomodando. Porque não dá pra ignorar que o mundo tá ficando cada vez mais cinza.

Eu prefiro o mundo verde-vermelho-sépia de Amelie Poulain.

Novo Universo

Hoje é o Dia Nacional das Artes. Visitei o Museu Rodin novamente. Pra quem não é de Salvador, preciso explicar: o Palacete das Artes, um lugar lindíssimo aqui na cidade, está abrigando uma exposição de Auguste Rodin, “Homem e Gênio”, que vai ficar por aqui por 3 anos, começou no fim do ano passado. Esta é a primeira vez que o Museu Rodin Paris concorda em ceder por tanto tempo as peças para uma exposição. São obras em gesso, mármore e bronze. Lindas, todas, claro. As famosas O Beijo, O Pensador, A Defesa, O Desespero e muitas outras estão lá. A entrada é franca e o deleite é infinito. No fundo do palacete tem um Café que é um sonho. A visita toda é um prazer.

O Beijo

O Pensador

A Defesa

Um PS importante depois da observação de Aline Castelo Branco nos comentários (bem lembrado). Não é permitido fotografar nem filmar a exposição. As fotos são do site do Palacete e da divulgação, e são as mesmas que estão no catálogo. Outro detalhe: não vá de salto alto! Eu não sabia e fui, e tive que trocar os sapatos pelos “propés”, aqueles “saquinhos” de pano com elástico, que parecem umas touquinhas.

Mas eu queria registrar também minha ignorância, eu que até hoje não conhecia Berthe Morisot. Ela (Sim! Ela!) era minoria no mundo tradicionalmente masculino nas artes – da pintura em geral. Viveu no século XIX, morreu aos 54 anos. Mas mais importante do que saber sobre ela, a princípio, é conhecer a obra. Estou encantada.

Caça às Borboletas

No Jardim em Maurecort

Eugène Manet e sua Filha Julie no Jardim

Esconde Esconde

Feliz Dia Nacional das Artes!!

Presentinho

Descobri uma coisa tão legal hoje na internet que tenho que compartilhar com vocês. É um site (http://naturesoundsfor.me) que te presenteia com sons da natureza! Eu, que adoro meditar e não vivo sem, vivo procurando sons relaxantes de pássaros, mar, chuva, trovoada e outros. Nesse site você pode inclusive misturar quatro sons diferentes, equilibrando o volume de cada um. Se você quer chuva com trovões e sapinhos, escolhe esses itens e decide se os sapinhos estão longe ou perto. Se você prefere escutar o mar com gaivotas, feel free. Ou quem sabe cachoeira e pássaros tropicais? Ou ainda neve e vento? Prefere o som do crepitar do fogo numa noite, com grilos? Num passe de mágica. Eu amei isso, vi no twitter de um seguidor e já saí por aí espalhando. Os itens estão em inglês, mas se você não for familiarizado com a língua pode sair escolhendo e descobrindo cada coisa. Agora me deem licença, preciso relaxar. Só não sei se vou pra uma praia deserta, ou chuva na floresta tropical, ou tempestade de neve.