Archive for Janeiro, 2010

Observando…

Desde criança eu aprendi com meus pais que caridade não é quando você tem dois e dá um. Caridade é quando você só tem um e dá a metade.

Há dias venho ouvindo pessoas dizendo por aí, por ali, que (e sempre começa assim): “Tudo bem que o Haiti está passando por problemas, mas peraí, todo mundo manda dinheiro pro Haiti, fala do Haiti, se preocupa com o Haiti, mas e eu? Meu salário está atrasado”, ou então (e bem mais aceitável) “tem criança órfã no Haiti, tudo bem, mas aqui também tem. Por que a gente tem que ajudar as de lá se aqui também tem?”, e outras manifestações do tipo.

Pode parecer impopular o que vou dizer, mas embora revestidas de indignação, essas manifestações – mesmo as que reivindicam ajuda para nossos pobres em detrimento dos pobres dos outros – me cheiram a egoísmo. A essas alturas, eu já acho até desnecessário descrever o que aconteceu com o Haiti, e tentar descrever o quão infeliz e desgraçado já era aquele povo, mesmo antes do terremoto. A gente acha que imagina como é, mas de repente somos bombardeados com imagens que deixam até o menos sentimental dos seres humanos abalado. E fazem pensar: Meu Deus, tamanha tristeza existe? É possível?

Mas se a desgraça lá é inimaginável, a nossa aqui é conhecida. E será que esses que reclamam da solidariedade de quem se mexeu para ajudar quem precisa também se mexem pra ajudar quem precisa e está por perto? É porque eu sofro que não posso ajudar quem sofre? É porque tem uma criança chorando aqui que não posso tentar ajudar também a que chora lá? É porque meu salário está atrasado que o Haiti não merece uma mão estendida pra tentar levantar?

Hoje eu li na internet que John Travolta, um ano depois de perder seu filho de 16 anos para uma doença rara, voou em seu avião particular para o Haiti, levando 50 médicos e também mantimentos para aquele país. Na volta ajudou haitianos-americanos a voltar pra casa, trazendo-os em seu avião. Países e pessoas doam dinheiro, levam médicos, levam esperança. O Brasil é um dos mais ativos nessa ajuda. Todos esses países tem problemas, certamente. Mesmo os mais ricos, em maior ou menor escala. E se todos resolvessem cuidar de seus problemas primeiro, o Haiti estaria fadado a permanecer sob as ruínas. Os sobreviventes morreriam de inanição, e de doenças, e de horror.

Lembro de uma frase atribuída a Gandhi, não lembro exatamente as palavras. Mas era mais ou menos assim: “Quando um homem se levanta para fazer o bem, toda a humanidade se torna mais digna junto com ele”. Acho que precisamos de mais desses homens para ajudar a levantar a nossa “humanidade”.

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Uma Prova de Amor, “My Sister’s Keeper”

Eu acabei de assistir “Uma Prova de Amor”, ou “My Sister’s Keeper”, no original. É um filme muito lindo, mas eu chorei demais. Tô sentindo uma estranheza depois que eu assisti… O filme é sobre uma família que tem uma filhinha com leucemia. Ela precisa de um transplante de medula, mas ninguém da família é compatível. Os pais dela resolvem ter outro filho, geneticamente “arquitetado” para ser compatível. Nasce uma menina, que doa a medula. Ocorre que depois de duas doações, a filha com leucemia passa a ter problemas nos dois rins, que não funcionam mais, e ela precisa de um transplante. Mas… e sempre tem um mas, e neste caso ele é enorme, aos 11 anos a caçula resolve se negar a doar o rim. E pronto, isso é tudo que eu posso falar.

Mesmo sem contar o desenrolar da história, eu posso dizer que é um lindo filme. Ele não é contado de maneira linear, vai e volta de vez em quando pra trazer à tona momentos da história da família que esclarecem coisas que acontecem no presente e que a gente só entende depois que vê os flashbacks. Ou que, pelo menos, trazem um pouco mais de beleza, ou tristeza. Na verdade não é exatamente um filme triste, em tese deveria ser apenas bonito, afinal de contas doenças e morte fazem parte da vida, mas quem é neste mundo, que lida com doenças como leucemia numa criança/adolescente de maneira serena e natural? Todos vamos morrer, e eu adoraria enxergar esse fato de uma maneira natural, como, simplesmente, parte da vida. Mas nós não sabemos fazer isso. Porque não queremos, porque perpetuamos nossa maneira de lidar com a morte assim, aterrorizada, distante, como se ela fosse um mito, e nem podemos sequer tocar no assunto. Eu gostaria de viver numa outra realidade. Acho que a maioria dos medos da vida deixariam de existir se não tivéssemos medo da morte. Por outro lado, algumas mortes são piores do que as outras. E a morte em crianças não é exatamente natural.

Antes que eu perca o fio da meada vamos voltar ao filme. Os mais críticos, aqueles que gostam de procurar pequenas incompatibilidades entre a obra e a realidade para apontar falhas de roteiro, desculpem, mas eu costumo ignorar se for algo realmente irrelevante. Porque é um filme, e porque por mais que a arte imite a vida, o cinema não deixa de ser uma fantasia, é o tipo “como seria se fosse”, entendeu? Não é documentário. É claro que quando as falhas são muitas, ou poucas, mas grandes, aí muda, porque o conjunto não funciona, a gente fica incomodado, não dá pra aceitar. Mas absolutamente não é o caso. Temos um roteiro bem escrito, outra coisa, se a Cameron Diaz provou aqui que pode atuar, e bem, porque ela não faz isso sempre? Tudo na vida é um bom diretor. Abigail Breslin é tão linda, e tão boa, adoro a eterna Little Miss Sunshine. As três crianças são excelentes. Mas eu não queria falar dessas coisas técnicas, eu queria mesmo era registrar a emoção que ficou comigo durante o filme e quando ele acabou.

Porque às vezes, o que importa mesmo é estar com quem se ama, é viver um pequeno prazer que pode se tornar indescritível a depender das circunstâncias, é saber como algumas pessoas são simplesmente inesquecíveis, o que importa é encarar tudo e todos com toda força se a causa for nobre. Eu chorei porque o filme é simples e lindo, e porque diante desse mundo onde tanta gente morre, onde marido mata mulher, onde crianças matam pessoas, eu pude colocar na minha coleção mais um momento raro de beleza, de leveza, de simplicidade, mesmo tendo uma história triste pra contar.


May I introduce to you*

Ando adorando uns blogs novos que eu conheci por aí, por acaso. A internet é um universo, realmente infinito e cheio de porcaria e lixo, mas de vez em quando a gente se depara com umas coisas verdadeiramente muito legais. Esses blogs estão listados aí na minha humilde seção de blogs que eu indico, neste caso na seção “Para Ler”. E como eu estou trazendo três amigos novos, eu preciso apresentá-los aos antigos!

Pela ordem cronológica, o primeiro foi Adorável Psicose, da Natália Klein. É super bem escrito (os três são), divertido, irônico e inteligente. Ela é redatora do Zorra Total da Globo, o que me gerou uma baita perplexidade, porque ela escreve super bem e o programa, digamos, não faz o meu tipo. Mas como estou indicando o blog, e não o programa, e considerando que os dois são coisas felizmente independentes, o blog está indicadíssimo. Eu cheguei até ele quando estava em São Paulo, e não creio que vá me lembrar como foi, então nem vou fingir que sei. Foi por acaso 100% e eu esqueci. Anda meio desatualizado, mas vale a pena fuçar os arquivos.

O outro é o Ludmilismos, e esse eu lembro. Eu estava aqui pensando em como eu tenho vontade de voltar à Europa pra conhecê-la propriamente, uma vez que eu só conheço a França (vários lugares incríveis), e principalmente pra ver o outono. Eu amo imagens de árvores vermelhinhas, ou amarelinhas, ou marronzinhas, ou coloridinhas como nessa foto:…

Lud, roubei a foto!

… e fui procurar no Google. Achei a foto acima, que estava no blog da Lud e do Léo. Eu fui ler. No post da foto, ela dizia que eles iam pra Europa no outono e esperavam ver algo parecido. O blog estava “desativado” e ela tinha se mudado para o Ludmilismos, que eu também fui ler e fui adorando. Também é mega bem escrito, interessante, despretensioso, bem comentado e cool. No final das contas eles não viram as árvores coloridinhas da foto, pena né? Mas o bom é que o blog está sempre atualizado.

E A Estrada Anil foi o último, e eu cheguei a ele através do Ludmilismos, porque Rita, a autora do blog, tinha deixado um comentário lá. Cliquei no link dela pra conhecer mais um blog (eu não estava desocupada, embora pareça! Estava me entregando ao sabor da sorte! hahaha). O Estrada Anil é uma leitura deliciosa. Dá vontade de ser amiga de Rita, que aliás é um doce e visitou meu blog, Lud tambem. No blog, Rita fala sobre sua vida, sobre filmes, sobre suas crises, música, os filhos, várias coisas. E sempre de uma maneira leve e agradável. Me identifiquei bastante com o jeito de escrever dela e por isso visito sempre. Também é bem atualizado.

Amigos, sejam gentis e mostrem que são receptivos! hahaha… Vale a visita!

*Para os puristas da língua portuguesa, o título em inglês está em minha cabeça porque ontem ouvi Sgt. Peppers Lonely Heart’s Club Band… Ah, whatever.

Eu e o mundo, o mundo e eu

“A maioria dos adultos já se acostumou tanto com o mundo, que nem dá valor à criação. Chega a ser cômico quando se pensa nisso, pois eles estão aqui fazendo apenas uma curta visita.”

Incrível isso. Qual é o sentido de felicidade?

Ter uma família linda, amada, uma casa aconchegante, não se preocupar com contas, viver num lugar bonito. Ser feliz.

Ter uma carreira brilhante, ser respeitado, valorizado, cobiçado pelas melhores empresas, ganhar muito dinheiro, viver com conforto, um(a) companheiro(a) maravilhoso(a), viajar pelo mundo, tomar champanhe toda semana no iate, ser feliz.

Viver numa casinha simples e aconchegante com o ser amado, na praia ou na montanha, se desligar das dores do mundo, criar os filhos junto à natureza, alimentar a espiritualidade, tomar café no friozinho, ou vinho na lareira, ou água de côco no fim de tarde. Ser feliz.

Colocar uma mochila nas costas e desbravar o mundo, conhecer pessoas incríveis, histórias mirabolantes, não criar raízes e ao mesmo tempo pertencer ao mundo inteiro. Uau, ser feliz.

É claro que felicidade pode ter vários sentidos, depende de quem conceitua. E outros inúmeros exemplos podem ser dados além dos que estão aí em cima. Mas hoje eu me peguei pensando nisso. Porque eu sempre achei que viver, e é claro, ser feliz, não pode ser o que faz a maioria das pessoas. Sabe aquilo? Acordar, trabalhar, correr, comer, trabalhar, dormir, pegar um cineminha e uma balada depois do jantar. Viagem nas férias, luxo de poucos. Mas será que as pessoas sabem que o mundo existe? É, o mundo ó, esse aqui:

E será que se dão conta de que a visita a este mundo é rápida? Um dia dura muito, mas a vida passa rapidinho. E na minha opinião, ser feliz passa por conhecer o mundo. Porque há tantas maneiras de viver a vida, e elas mudam de acordo com o lugar onde você está, e eu não posso conceber que sei o que é ser feliz se eu não conheço as outras maneiras. Talvez o texto leve à conclusão de que eu não sou feliz, e não é isso. Absolutamente, não! Eu sou sim, muito feliz. Tenho saúde, uma família que é um sonho, um trabalho legal, sou reconhecida, tenho planos, tenho amigos, histórias pra contar, me acabo de rir. Mas eu sempre penso nas diferentes felicidades que existem. Porque como diz o início deste post, que eu tirei de um trecho do livro “Através do Espelho”, de Jostein Gaarder, os humanos se acostumam com o mundo, e mal sabem o quanto ele é/pode ser maravilhoso.

Este post é uma reflexão sobre o modo como eu vejo o mundo e a felicidade que eu sinto por ele existir, e por eu saber disso. Conhecer os vários pedacinhos dele é outra história. E essa outra história me dá uma certa angústia, porque não é só ter dinheiro para gastar sola de sapato e milhagens com viagens all around, é a velha prisão “acordar, trabalhar, comer, correr” em que vivemos todos. É que nem vitrine de padaria: cheia de doces, confetes, tortas, chocolates, guloseimas maravilhosas e você jamais vai saber o gosto de tudo. Porque não dá tempo, ou porque você tá sem dinheiro, ou porque tá atrasado pra trabalhar, ou porque você nunca experimentou e nem sabe o quanto é bom, e desdenha.

Tô com a impressão de que eu estou olhando para o mundo que nem cachorro babando em frente ao frango da padaria.

Pronto, falei.

AAaaAAaaAAaa!

Ontem conversei com minha irmã no telefone. Vocês já devem ter visto os comentários dela por aí, ela assina Myl (a gente se chama assim. Aliás, a gente se chama de quase qualquer coisa). Ela é uma criatura absolutamente adorável. Todo mundo que a conhece diz isso. Eu, quando pequena, era a irmã de Rai (ela), quase não era Dele (eu – lê-se Déle). Mas eu não ligava. Porque ela tem uma magia, uma doçura, um carisma, algo inexplicável. Hoje ela mora na França, é casada com Pierrick (precisa dizer que ele é francês? Com este nome…!), e é mãe de Esteban (ai…! Saudade) e está esperando mais um menininho que até o presente momento se chamará Raphael (nem queriam saber que outros nomes estavam na parada). Rai é uma luz na minha vida. Eu tenho certeza que ela é uma espécie de anjo, porque toda vez que eu estou precisando de ajuda, quem aparece?? Pois é.

Na verdade eu queria mesmo era contar uma peripécia de Estebinho, mas aí tive que falar de Rai, porque ela é demais. Mas ontem eu soube de umas coisas tão engraçadas que precisava compartilhar. Soube que Estebinho outro dia viu um pombo pousar na varanda da casa deles. Os pais estavam lá dentro, talvez no quarto. Ele achou aquele pombo na varanda algo tão legal, que foi correndo chamar os pais pra mostrar. Mas ele ainda está aprendendo a falar, e no desespero de se fazer entender é que ninguém entendeu nada. Ele dizia “oiseau”, “oiseau” (pássaro, em francês), mas misturava com outras coisas e os dois não entenderam. O que ele fez? Saiu em disparada pro quarto, pegou o passarinho do Playmobil (que deve medir milímetros), e trouxe pra mostrar. Daí pegou os dois pela mão e correu pra varanda. A sorte é que o pombo ainda estava lá. Achei que o pombinho foi legal com Esteban. Esperou os pais dele chegarem pra que ele fosse compreendido. Imaginem o desastre se o pombo já tivesse voado? Talvez ninguém tivesse entendido até hoje do que se tratava.

A outra peripécia dele foi no carro, com a mãe. No caminho pra creche, passaram por um caminhão do Corpo de Bombeiros. Ele gostou muito, e resolveu dizer “pompieurs” (bombeiros)” Pompieurs! Pompieurs! Mas a mãe (esses adultos…) não entendeu o que era. Ele repetia e repetia. Nada. Ele, mais uma vez, não se fez de rogado. Começou a imitar a sirene:

– AAAAaaaaaAAAAAaaaaaAAAAaaaa!!!!! (pausa para minha gargalhada até agora)

E tudo se resolveu! Rai entendeu, e ele ficou feliz e satisfeito no exercício de seu direito de se comunicar. Que lindo.

Pequeno Príncipe

Le petit prince et sa maman

Bonequinho de neve. Quem resiste?

Coisas

Depois de tanto tempo sem escrever será que eu deveria estar com vergonha? “Um pouquinho” seria de bom tom, né? Mas eu ando tão ocupada, “tão tão”, que postar agora é luxo! Então, dado o fato de que eu não estou com vergonha, vamos em frente sem perder tempo!

Quem acompanha o blog sabe da minha angústia em pensar em coisas legais pra postar e depois, quando estou no computador, esquecer. Mas isso é tão eu, que nem me estresso mais. Aliás, por favor, quem souber algo bom pra memória, please. Me diga. Esse é um dos meus principais problemas! Não vale: ler, comer peixe, colocar coisas fora do lugar pra eu saber que preciso lembrar de algo, porque eu vejo a coisa e me dá uma angústia ainda maior de saber que preciso lembrar, mas esqueci. Receitas novas, por favor.

Eu poderia falar do calor que tá fazendo em Salvador, do filme de Lula, da função Scanner que eu descobri ontem na minha impressora, da caneta-laser que ganhei de presente e fico à noite apontando pro mais longe que eu posso ver da janela (e o laser chega muito longe, é massa), de como está sendo 2010 (estou esgotando todos os assuntos, vou acabar não falando de nada), dos livros que estou lendo (todos estagnados pra dar andamento ao meu projeto misterioso) e poderia falar do projeto misterioso. Mas ainda não, deixa eu ver primeiro como essa coisa se desenrola.

2010 tá muito bom, so far. Tô bem, feliz, trabalhando muito, e mega confiante nas coisas boas que estão acontecendo!

See you!