Archive for Fevereiro, 2011

Te perdoo

“Te perdoo. Por fazeres mil perguntas que em vidas que andam juntas ninguém faz. Te perdoo por pedires perdão. Por me amares demais. Te perdoo… Te perdoo por ligares pra todos os lugares de onde eu vim… Te perdoo por ergueres a mão, por bateres em mim. Te perdoo quando anseio pelo instante de sair e rodar exuberante, e me perder de ti! Te perdoo por quereres me ver aprendendo a mentir. Te perdoo! Por contares minhas horas nas minhas demoras por aí. Te perdoo, te perdoo porque choras quando eu choro de rir. Te perdoo por te trair.”*

Mas não para sempre.

Para sempre não.

*Mil Perdões, Chico Buarque.

Cenas de carnaval (e só de carnaval)

Era carnaval, e no carnaval a gente não dá mesmo muita bola pra quase nada. Então ela saiu fantasiada de… bem, não sei como chamar essa fantasia, mas o fato é que ela estava de maiô, bóia na cintura, touca de mergulho e tubo snorkel. O pé-de-pato foi melhor descartar, imagina a confusão.

Lá pro fim da noite, no meio de um mundo de gente, ela olhou pra um caubói, que também olhou pra ela. O olhar foi fulminante, e em alguns minutos os dois estavam de mãos dadas indo em direção à casa do rapaz. No meio do caminho ela encontra uma velha conhecida dos pais dela. A criatura vem, não acredita que a bebezinha que ela segurou no colo era aquele mulherão de touca e tubo snorkel e começa a chorar lembrando de como ela era fofa quando pequena. A cena se torna insustentável e os dois conseguem se desvencilhar da velha conhecida, mas não sem alguma dificuldade.

Lá pras tantas chegam à casa do rapaz. Já era dia claro. No apartamento estavam os pais dele, irmãos, até tios. “Gente, essa é Verônica*”, dizia ele a todos para desespero dela, que esqueceu de perguntar seu nome. Depois do constrangimento de ter que dizer “oi, gente” pra desconhecidos estando vestida daquela maneira, eles partem pro quarto. Ele tenta tirar a bóia por baixo. Trava. Tenta por cima. Trava. “Como faz?” Ela dá um jeitinho. E começa a parte que fez com eles enfrentassem a velha conhecida e o constrangimento da família. Mas eis que no meio do processo ela se dá conta de que ele é um total desconhecido, de quem ela ignora inclusive o nome e aborta a operação. Veste sua touca e seu tubo snorkel e cai fora daquela cena surreal. Simples assim.

Coisas que a gente só vê no carnaval.

*Naturalmente o nome é fictício. Sim, a história é verídica.

Atualização: fui informada de que o cara estava fantasiado de frei, não de caubói. Sim, túnica marrom, cordinha e sandália de couro. Pessoal a caráter.