Archive for Março, 2011

Ah, bruta flor do querer…

Na lista das coisas que eu mais amo nessa vida: o encantamento fulminante. No caso aqui música, arte, energia, inteligência, sensualidade, e uma letra que meu Deus do céu, que angústia. A conjunção perfeita, pra mim não há nada fora do lugar. Vejam só que coisa linda.


(Chico, você… ah, sei não.)

E por favor, acompanhem com a letra!

O Quereres

Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock?n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em ti é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente impessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim.

As verdadeiras máquinas do tempo

Sabe aquelas lembranças profundas? Aquele cheiro, aquela palavra, aquele cenário ou aquela música que te marcaram tanto um dia, ou durante um tempo, que passam a fazer parte de você, de sua história e até de sua personalidade? Que te remetem como num passe de mágica a uma época, um lugar, um abraço, um sentimento? Incrível como certas sensações se imprimem na gente para sempre. Tem perfumes que me lembram a escola, tem os que me lembram um amor feliz – que acabou, um que lembra um dia específico na antiga fazenda quando eu devia ter uns 5, 6 anos, e a chuva estragou minha boneca de papel que trocava de roupa. E todas as roupas. Apesar disso é uma lembrança tão linda. Intocável, no altar. Tem o perfume que me lembra minha irmã. Os perfumes são como marcadores de livro da nossa história.

As músicas também são. E eu tive vontade de escrever isso porque estava ouvindo uma música específica que eu gosto tanto, e sempre gostei, e nunca conheci ninguém que gostasse tanto como eu, que a considero minha. E eu quero que todo mundo se lembre de mim quando tocar. E eu fico com ciúme se alguém ouvir perto de mim sem me dizer. Porque é a música que me identifica. You Were Meant For Me, de Jewel, me fez comprar o primeiro cd da minha vida. Com meu primeiro dinheiro. Isso foi lá em não-sei-quando. Pieces of You, nunca vou esquecer aquela capa, já não tenho mais. Eu sabia de cor do primeiro ao último acorde do disco, com todas as nuances da voz (linda) de Jewel. E eu me apossei daquele repertório inteiro. E You Were Meant For Me era tão especial que eu aprendi a tocar no violão, não com aquela leveza e destreza dela, mas eu tocava, mal como fosse, porque eu precisava vivenciar aquilo. E aqui em casa todo mundo chama de “a sua música”. E ela atravessou tantas fases da minha vida que é quase uma amiga, meio que dizendo “não importa o que aconteça, eu sempre te direi esses versos, muito embora você tenha interpretações diferentes, que variam de acordo com suas emoções”. Certas coisas não mudam nunca.

Gostem, mas não adorem muito.

E depois dizem que não inventaram a máquina do tempo…

Bad timing e um pouco de mau humor

A vida e seu bad, bad timing.

Taí uma frase que eu sempre digo. Quando não digo penso. Uma salva de palmas para a vida, que coloca as peças (e as pessoas) nos lugares quase certos, quase diante das pessoas certas, quase na hora certa, quase consegue. Seria perfeito se não fosse o quase.

Se hoje eu quero, você quer amanhã e depois de amanhã sou eu. E a gente nunca quer junto. Se hoje eu tô com saúde desperdiço na preguiça. Amanhã tô doente e quero sair correndo na chuva. É exatamente o que queria fazer. Estou há dois dias de molho em casa sem trabalhar por conta de uma crise inédita de garganta. Sério, nunca vi a bichinha desse jeito. Mas quando essa crise passar só vou pensar em (só soteropolitanos vão entender essa parte) ir ao cinema do Museu na Vitória, ir ao Palacete das Artes na Graça, ir a um show da Suinga em qualquer canto, tomar todas com meu povo, banho de mar no Porto, perder noite.

Mas por enquanto tô aqui reclamando da vida, porque é isso que a gente faz quando tá de saco cheio de (quase) tudo.

Aliás, haja saco cheio. Ô, se é.

Tenho dito.

ops...

As morenas que dominaram o mundo

Que me desculpem as loiras, mas o papo aqui é sobre morenas. Lindas. Aliás, mais do que lindas. Extra-terrestres. Acho que elas não são da mesma espécie do resto do mundo. Fico pensando em qual delas é mais linda. Mas pra quê, né? Não existe grau de comparação. Agora a terceira delas se foi. Que mundo cinza e feio nós temos a partir de hoje. Goodbye, Liz Taylor!

Elizabeth Taylor

Ava Gardner

Audrey Hepburn

Ter tanta beleza estampada no rosto deve ser até uma coisa estranha. O mundo então estaria mais normal agora.

Metamorfose

Eu tenho sentido uma metamorfose dentro de mim. É como se minha alma estivesse se expandindo, mas meus pés estivessem fincados no chão, ao mesmo tempo em que eu flutuo. Tenho me voltado para dentro ao mesmo tempo em que quero abraçar o mundo. Tenho sentido necessidade de não perder tempo, ao mesmo tempo em que quero que o mundo pare em determinados momentos. Tenho ligado mesmo pra muito pouca coisa. Tenho sido adolescente. E tenho percebido que às vezes eu adolescente sou mais adulta. Tenho percebido que sou mais leve e dado valor a coisas diferentes. Tenho fugido de prisões e cobranças. Tenho dado atenção mais a mim, menos às pressões. Tenho aprendido a dizer não, e isso é uma das melhores coisas. Tenho me deixado mais livre e principalmente mais simples.

Essa mudança não se dá de forma tão fácil. As metamorfoses são dolorosas às vezes. E vou pular o clichê de citar a linda borboleta que vem depois do casulo, até porque o último lugar onde eu me encontro agora é um casulo. Pelo contrário. Meu processo de transformação é a liberdade. Em doses cavalares. E eu gosto disso. E estou dispensando os julgamentos. E achei a frase que me traduz: “Não sei, deixo rolar. Vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo.”

Simples assim.