Archive for the ‘Querido diário’ Category

Sobre o tempo e a hora de acordar.

Lembro de um comercial de TV que dizia: “você passa um terço da sua vida dormindo; então que seja num bom colchão.” Sabe, eu acho que a gente passa muito mais do que isso dormindo, na verdade. Mesmo que não seja na cama, nem cochilando no ônibus, nem no intervalo pro almoço no trabalho, nem nada. É dormindo acordado. “Zumbizando” na vida, esquecendo do que é importante. Quanto tempo será que a gente passa olhando a tela do Facebook subir, subir, sem apreender nada, sem pensar, quantas horas? Sejamos sinceros. Quanto tempo no twitter, no messenger. Quanto tempo fingindo que tá trabalhando, quando na verdade estamos pensando no final do expediente, quando poderíamos fazer e acontecer, e este chega e a gente continua dormindo? Eu sei lá porque pensei isso agora à noite. Acho que foi porque estava inspirada pelo segundo assunto que vem logo abaixo, liguei o computador pra escrever, e vi as pessoas “dormindo” no Facebook. Minha ideia era outra pro blog, que aliás, anda bem adormecido, mea culpa. Minha ideia era imaginar de quantas memórias se faz uma história de amor. É que eu acabei de assistir, pela não-sei-quantésima vez, o filme “Como se fosse a primeira vez”, onde a garota tem um problema de memória ocorrido depois de um acidente, e a partir disso, sua memória dura apenas 24 horas. Ela não lembra do que fez ou de quem conheceu no dia anterior. E o carinha tem que conquistá-la todos os dias, porque é apaixonado por ela, e para ela, toda vez que o vê, é como se fosse a primeira vez.

E aí eu fiquei pensando sobre isso, porque de fato ela acaba se apaixonando por ele todos os dias, e ele encara com dedicação total a tarefa de conquistá-la todos os dias. O filme já virou um clichê das reflexões. Mas eu sempre me pego pensando no final dele. E hoje minha viagem foi sobre os detalhes das histórias de amor. “Ela sorri e aperta os olhos, é lindo”, “ele fala de um jeito doce que me encanta”, “ele finge que vive num programa de TV e fala coisas sobre mim com uma câmera invisível”, “ela sempre reclama quando chego em casa e não dou um beijo, e aí eu dou”. Sabe esses pequenos detalhes? Coisas de todo casal, que fazem aquela relação diferente das outras, única? Quantos pequenos detalhes desses fazem uma história? Um relação de um dia? De anos? Será que a gente percebe? Ou será que as distrações do dia a dia nos fazem perder o melhor? E aí percebi que os dois assuntos que decidi colocar no blog hoje se ligam exatamente aí. São tantos apelos por minuto, no Facebook, na televisão, na propaganda, no compre isso e aquilo, que as pessoas deixam o essencial passar em branco. Que grande bobagem. Perdem de viver o melhor. De se dedicar ao que preenche a alma. Não ao que satisfaz momentaneamente, mas ao que constrói alguma coisa dentro de si. O que te preenche? Meditar? Entrar em contato com a natureza? Ler? Conversar com pessoas importantes pra você? Olhar nos olhos do seu amor e ficar em silêncio, fazendo carinho? Ouvir música? Estar presente na vida da sua família, que você negligencia todo dia, porque está ocupado demais com o que te adormece?

Acordemos. A grande realidade, a única imutável, é que o tempo passa mais rápido do que a gente pensa, e é justamente essa realidade que a gente insiste em ignorar. Tudo muda, as relações mudam, as pessoas seguem a vida, as histórias se sobrepõem, o tempo não nos espera. A gente costuma pensar que um dia da semana tem que funcionar no automático: acorda, segue sua rotina de todo dia, dorme. Quando certamente há espaço nesse intervalo pra fazer algo que te faça sentir vivo, e não um robô. Qualquer coisa. Se não der pra dar uma caminhada ouvindo uma música que te agrade, dance, se não der, cante na hora do banho, se não der, faça uma comida diferente, experiente algo que nunca fez, se não der, escreva uma música, se não der, tire três minutos à noite pra ouvir uma música, e relaxar seu corpo e sua cabeça, e se der, privilegiado, vá à praia! Mas tente sair dessa prisão do sono eterno que te emburrece, diminui, anestesia, e te rouba todos os dias. E passe a prestar mais atenção ao seu lado. Quem vive com você, nem que seja só você mesmo. Planeje algo grande, ou pequeno, mas faça. Acorde, e bom dia.

(Caso você queira a tradução da música, clique aqui.)

Tim Tim – Um brinde ao tempo

Um brinde ao relógio, que não pára. Às oportunidades que temos a sabedoria de enxergar, e às que perdemos. Às lições que elas nos ensinam. Ao relógio, que ele nos dê tempo de perceber que o tempo passa. Às novas possibilidades que se apresentam, aos ciclos, que se renovam.

Hoje eu quero brindar ao relógio, que trabalha pra fazer brotar a felicidade, abrir o sol, despertar paixões, clarear a mente, curar dores, trazer experiências, transformar sentimentos. Brindo à habilidade do relógio de quase parar o tempo. Pra que a gente possa viver eternamente um breve instante perfeito. E à habilidade de mudar tudo quando a gente “menos espera”.

Por fim, brindo pra que ele ensine algo. Ele sempre tem algo a ensinar. Às vezes pra aprender é preciso calma e tempo, mas com cuidado – ou brindaremos às oportunidades perdidas para sempre.

Proponho um brinde à passagem do tempo! Topa?

Delita e Capitulina

“Ela morreu”.

Acordei no meio da noite com um homem dizendo isso em voz alta em meu quarto. O susto foi grande. Não havia ninguém em casa além de mim e dos meus pais, que dormiam tranquilamente no quarto deles. Mas alguém havia dito essas duas palavras ali, entre aquelas quatro paredes, no meio da madrugada. “Ela morreu”. Vejam, não estou me referindo a espíritos, não é isso, embora não possa descartar a possibilidade, porque não creio em bruxas, mas que elas existem, existem. Só que não havia mais ninguém ali.

O fato é que as palavras “ela morreu” me levaram de volta a uma noite quatro anos antes, quando, já por volta das 11 horas, o telefone tocou em casa. Era uma tia, dizendo que minha avó, que viera do interior para se tratar de um problema de saúde, não passava bem. Meu pai atendeu, e pelo tom de sua voz senti que o problema era grave. Minha avó gemia de dor, e minha tia estava nervosa. Meu pai receitou um remédio, não é médico, mas trabalhou toda a vida com farmácia, e conhece substâncias como um médico. Desligou o telefone. Passou um tempo, a situação acalmou-se. Todos dormimos. No meio da madrugada toca o telefone. Meu pai vai atender, tenso e angustiado. A conversa não demora. “Alguém está indo levá-la ao hospital?” Sim, havia um sobrinho que morava mais perto e que estava a caminho. Meu pai já não dormiu. E eu, a cada toque de telefone, me afundava mais na cama. Eu não queria ouvir, eu não queria saber. Eu fingia estar dormindo, porque se eu não participasse daquilo, era como se não estivesse acontecendo. Talvez de alguma maneira eu sentisse a gravidade da situação, e não queria de jeito nenhum enfrentar. Até que mais uma vez o telefone tocou. Eu não ouvi quase nada. Segundos depois veio o ruído do telefone encaixando-se no gancho. Passos no corredor. Meu pai passa na porta do meu quarto, segue em direção ao dele e fala à minha mãe, quase num sussurro engasgado, sem crer, mas o mais firme que ele pôde: “Ela morreu”.

Eu, num gesto egoísta, infantil e covarde, apertei o travesseiro na cabeça e ouvidos, cerrei os olhos, me contraí inteira. Não quero. Não quero. Não era verdade. Não podia ser. Mas era. Eu enfrentava a morte da minha avozinha Capitulina, que me chamava de Delita e que conversava com os cágados do quintal, e enfrentava a dor do meu pai, um menino, agora órfão de mãe, a mulher forte e guerreira que ele tão bem descreve em suas histórias. Ela morreu. Depois de entrar numa bolha particular, como que pra fingir que nada daquilo estava acontecendo, saí, me levantei e encarei meu pai, olhos cheios de lágrimas, desnorteado pra lá e pra cá da casa, tentando organizar um copo que estava fora do lugar, um pano que tinha caído no chão, como que pra ocupar sua mente para que ela não entrasse em colapso. Minha mãe, tentando apoiar o marido, e a filha que tinha acabado de perder a avó, era a imagem de uma mulher que gostaria de guardar a família debaixo da asa. Minha irmã já morava fora.

Meu pai sentou, chorou um pouco, mas sempre de maneira contida. Chorei com ele em silêncio. Fomos deitar. Eram 3 da madrugada e àquela hora não havia mais o que fazer. Deitar, mas não dormir. Cedo fomos até lá e as providências foram sendo tomadas.

Aquelas palavras, “Ela morreu”, me assombram ainda hoje. Elas me apunhalaram de maneira tão aguda, que não posso pronunciá-las juntas sem sentir, ao menos um pouco, a sensação de negação que tive aquela noite. E quando acordei ouvindo “ela morreu” dentro do meu quarto, me assustei. Eu não sei quem disse. Mas era uma voz clara, masculina, quase me alertando, quase me chacoalhando. “Acorde, porque ela morreu”. Se isso foi um recado, não sei se entendi direto. Acordei angustiada e triste. Não exatamente com medo. Talvez seja meu subconsciente me avisando que diante de momentos em que a vontade é de negar fatos trágicos, essa é justamente a hora em que é preciso acordar. Talvez seja a força desse registro em minha cabeça, reverberando tanto tempo depois. Talvez seja minha mente tentando me fazer finalmente acreditar na perda da minha avó. Sim, ela morreu.

Há dois dias sonhei com ela. Era dia de finados e seu aniversário. Talvez tenha sido uma visita, mas não era aquele sonho clássico, de filme, “estou bem, cuide de fulano de tal”. Não, era uma conversa trivial, nem lembro sobre o quê. Mas de fato ela estava mais jovem.

“Ninguém deu comida pra gente hoje, dona Capitulina!”, dizia ela no quintal quando eu era criança, fazia voz de menino, como se fossem os cágados que moravam no fundo da casa falando com ela. A gente olhava, eu e minha irmã, sorriso congelado no rosto, e depois gargalhadas finas. Diversão pura e simples. “Olha aquela fulô ali, Rai”, “não é fulo, vó, é flor!”, “Ah é, verdade”. “Deus lhe abençoe, Rai!”, “não vó, é Delita no telefone”, “Oh, é mesmo”. “Corta uma fatilha desse bolo aí pra mim, Delita”. “Não é fatilha vó, é fatia!”. E nos desmanchávamos em risos.

Não precisa me lembrar. Não esqueço que ela morreu. Mas o mais importante de toda essa história é que ela viveu.

Fuxico de vovó.

Fulô na frente de casa.

Já Morro de Saudade

A vida é agora. Pensando nisso, decidi no final da tarde de sexta-feira ir para Morro de São Paulo com três amigas na madrugada seguinte. Tive duas horas para organizar tudo e estar a postos. Pra quem não sabe, ir para Morro de São Paulo compreende pegar um ferry-boat (e a fila que o espera), pegar estrada (quase duas horas) e depois uma balsa. No meu caso duas balsas, porque primeiro parei na Gamboa do Morro.

E foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos. Com três pessoas amigas, leves, engraçadas, dispostas a viver momentos felizes e inusitados, e a enfrentar o cansaço das viagens com total bom humor. Dancei, ri, bebi, comi, mergulhei, tomei banho de uma lama que faz bem pra pele, e tudo mais. Aliás, a tal lama foi um capítulo a parte, primeiro você anda um pouco na praia até chegar ao lugar. Lá tem uma rocha gigantesca que se desprende aos pouquinhos e se junta com o mar, sei lá como é que é direito. O fato é que o resultado dessa mistura fica com uma consistência de chantilly, você entra e afunda meia perna, e todo mundo parecia estar num verdadeiro parque de diversões. Como Morro recebe muitos turistas, havia um grupo de espanhóis que entrava de cara na lama. Um grupo de sulistas e cearenses que escorregava na lama. E eu, Maslowa, Adriana e Bárbara também parecíamos crianças tendo crises de riso e jogando lama umas nas outras. Foi uma experiência e tanto. A lama é de uma cor tipo um rosa claro alaranjado, e estar dentro dela é uma sensação única. Depois banho de mar – que está logo à frente – pra tirar a lama do corpo e a pele fica deliciosa, hidratada, não sei explicar, nem se há qualquer base científica pra isso, mas talvez a gente fique tão feliz e leve ao sair de lá que tudo fique mais bonito no mundo, até a pele.

Conheci pessoas de outras partes do mundo, vi as deslumbrantes paisagens do Morro e de Gamboa, estive juntos de amigas queridas e admiráveis. Que bom que decidi ir. Baterias recarregadas!

Adri, Lowa, eu e Binha

Nem o capeta se rendeu ao paraíso!

Só queria chegar, ir embora nunca.

Dolce far niente.

Sobre admiração, anseios e morte lenta

Outro dia conheci, através do twitter, um poema chamado “Morre Lentamente”. Ele foi retuitado por uma amiga (Adri), e achei interessante. Era atribuído a Pablo Neruda, e antes de retuitar fui apurar se era mesmo dele (vício jornalístico). Acabei encontrando uma grande controvérsia. Uns dizem ser dele, outros atribuem a Martha Medeiros, escritora gaúcha maravilhosa (cujo blog está linkado na seção “Para Ler” aí do lado). Acabei achando uma nota da Fundação Neruda desfazendo o equívoco, e afirmando que o texto não é dele, e sim de Martha Medeiros.

Aí a confusão piora! Porque encontrei dois textos diferentes. Mas como eu não sou dada a estes problemas menores (me perdoem os preciosistas, mas o poema é melhor que a questão do “DNA” do próprio), resolvi postar aqui o que mais me agradou, até porque as diferenças são mínimas.

Morre Lentamente

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos. Quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.”

Ah, como eu admiro verdadeiramente quem escreveu isso e quem se recusa a morrer lentamente assim.

*Atualização: O poema não é poema, é uma crônica de Martha Medeiros, e na verdade se chama “A Morte Devagar”, confirmei no próprio blog dela, aqui.

You’ll just do it all again

On the Radio
Regina Spektor
* Pra quem precisar, tem tradução no Google! 🙂 *

“This is how it works
It feels a little worse
Than when we drove our hearse
Right through that screaming crowd

While laughing up a storm
Until we were just bone
Until it got so warm
That none of us could sleep

And all the styrofoam
Began to melt away
We tried to find some words
To aid in the decay

But none of them were home
Inside their catacomb
A million ancient bees
Began to sting our knees

While we were on our knees
Praying that disease
Would leave the ones we love
And never come again

On the radio
We heard November Rain
That solo’s really long
But it’s a pretty song
We listened to it twice
‘Cause the DJ was asleep

This is how it works
You’re young until you’re not
You love until you don’t
You try until you can’t

You laugh until you cry
You cry until you laugh
And everyone must breathe
Until their dying breath

No, this is how it works
You peer inside yourself
You take the things you like
And try to love the things you took

And then you take that love you made
And stick it into some
Someone else’s heart
Pumping someone else’s blood

And walking arm in arm
You hope it don’t get harmed
But even if it does
You’ll just do it all again

And on the radio
You hear November Rain
That solo’s awful long
But it’s a good refrain
You listen to it twice
‘Cause the DJ is asleep
On the radio”

And so it goes…

Uma casa portuguesa, com certeza!

Eu faço um quadro na Rádio Metrópole que se chama “Dia na História“. Nele eu conto diariamente fatos que de alguma maneira marcaram a humanidade (que pretensão!). Acontecimentos históricos, nascimentos e mortes de pessoas que foram importantes (claro que esse “importantes” é no sentido do coletivo). Todos os dias quando vou pesquisar esses acontecimentos para fazer o quadro me deparo com uma fonte infinita de histórias de guerras, casamentos reais, papas, concertos inesquecíveis, fatos políticos, músicas. Todo dia tem novidade, é ótimo.

No “Dia na História” de amanhã, eu registro a morte de Amália Rodrigues, uma maravilhosa cantora portuguesa, a quem ouço desde pequena porque meu pai de vez em quando escutava (e escuta ainda). E vou colocar lá um trechinho de “Casa Portuguesa”, um fado radiante.

E que coisa mais linda! A música tem um ritmo alegre, a letra dá um aconchego, uma sensação boa! E aí…

Ai, aí eu fiquei balançaaaada de vontade de conhecer Portugal! A cara de um lugar meio baiano, meio europeu, alegre, com personalidade, colorido, forte e ao mesmo tempo singelo. Será que é isso mesmo?

“Numa casa portuguesa fica bem
pão e vinho sobre a mesa.
e se à porta humildemente bate alguém
senta-se à mesa com a gente.

Fica bem esta franqueza, fica bem,
que o povo nunca desmente.
A alegria da pobreza
está nesta grande riqueza
de dar, e ficar contente.

No conforto pobrezinho do meu lar
há fartura de carinho.
e a cortina da janela é o luar,
mais o sol que bate nela…

Basta pouco, poucochinho pra alegrar
uma existência singela…
É só amor, pão e vinho
e um caldo verde, verdinho
a fumegar na tigela.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho à alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim

um São José de azulejo,
mais o sol da primavera.
uma promessa de beijos…
dois braços à minha espera.
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!”

Ora, pois!