Sobre admiração, anseios e morte lenta

Outro dia conheci, através do twitter, um poema chamado “Morre Lentamente”. Ele foi retuitado por uma amiga (Adri), e achei interessante. Era atribuído a Pablo Neruda, e antes de retuitar fui apurar se era mesmo dele (vício jornalístico). Acabei encontrando uma grande controvérsia. Uns dizem ser dele, outros atribuem a Martha Medeiros, escritora gaúcha maravilhosa (cujo blog está linkado na seção “Para Ler” aí do lado). Acabei achando uma nota da Fundação Neruda desfazendo o equívoco, e afirmando que o texto não é dele, e sim de Martha Medeiros.

Aí a confusão piora! Porque encontrei dois textos diferentes. Mas como eu não sou dada a estes problemas menores (me perdoem os preciosistas, mas o poema é melhor que a questão do “DNA” do próprio), resolvi postar aqui o que mais me agradou, até porque as diferenças são mínimas.

Morre Lentamente

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos. Quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.”

Ah, como eu admiro verdadeiramente quem escreveu isso e quem se recusa a morrer lentamente assim.

*Atualização: O poema não é poema, é uma crônica de Martha Medeiros, e na verdade se chama “A Morte Devagar”, confirmei no próprio blog dela, aqui.

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4 responses to this post.

  1. Oi, Nardele

    A vida é cheinha de sedutoras mortes lentas, é preciso olhos e coração bem abertos. Às vezes é tão mais fácil ir levando… sorte nossa quando o saculejo vem com força. 🙂

    E, olha, parabéns atrasadíssimos pelo sucesso do bazar! Você num tem uma blusinha branca pra trocar por uma sainha preta, não?

    Bj,
    Rita

    Responder

  2. Posted by Rejane on 21 de Outubro de 2010 at 22:14

    IIHH! Enquadro-me em uma ou duas coisinhas desta morte lenta.
    Mas acredito que todos estamos morrendo lentamente, uns mais lentos que outros, mas quem não se enquadra em nada do que foi escrito aí?
    Porém amo a vida e quero viver!
    Bj

    Responder

  3. Ótimo texto, muito inspirador!

    Beijos!

    ps.: soube dps do bazar, fiquei curiosa pra ver, mas fica pra próxima!

    Responder

  4. Posted by nardele on 22 de Outubro de 2010 at 14:18

    Ritinhaaaa! Tinha um monte de blusinha branca! hihihi Valeu pelos parabéns. Ai menina, pois é. Deus me livre dessa morte lenta. Mas como bem disse Rejane aí embaixo, é difícil não terminar cedendo a alguma coisa, aceitando outra que não gosta, se rendendo àquela outra… O importante é estar atento: “Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade”. Beijo!!

    Rejane, bem observado. É difícil não cair na rede de uma morte lenta, umazinha que seja. Às vezes mais de uma. Mas também amo a vida!! Quero viver muitas coisas!

    E Cacau, seja bem vinda! Este texto eu vou voltar pra ler de vez em quando, pra sempre lembrar que atitudes como essas – deixar o sonho pra “depois”, fazer da TV um guru, não viajar, não ouvir música – nos fazem morrer lentamente. 🙂

    Responder

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