“A maioria dos adultos já se acostumou tanto com o mundo, que nem dá valor à criação. Chega a ser cômico quando se pensa nisso, pois eles estão aqui fazendo apenas uma curta visita.”
Incrível isso. Qual é o sentido de felicidade?
Ter uma família linda, amada, uma casa aconchegante, não se preocupar com contas, viver num lugar bonito. Ser feliz.
Ter uma carreira brilhante, ser respeitado, valorizado, cobiçado pelas melhores empresas, ganhar muito dinheiro, viver com conforto, um(a) companheiro(a) maravilhoso(a), viajar pelo mundo, tomar champanhe toda semana no iate, ser feliz.
Viver numa casinha simples e aconchegante com o ser amado, na praia ou na montanha, se desligar das dores do mundo, criar os filhos junto à natureza, alimentar a espiritualidade, tomar café no friozinho, ou vinho na lareira, ou água de côco no fim de tarde. Ser feliz.
Colocar uma mochila nas costas e desbravar o mundo, conhecer pessoas incríveis, histórias mirabolantes, não criar raízes e ao mesmo tempo pertencer ao mundo inteiro. Uau, ser feliz.
É claro que felicidade pode ter vários sentidos, depende de quem conceitua. E outros inúmeros exemplos podem ser dados além dos que estão aí em cima. Mas hoje eu me peguei pensando nisso. Porque eu sempre achei que viver, e é claro, ser feliz, não pode ser o que faz a maioria das pessoas. Sabe aquilo? Acordar, trabalhar, correr, comer, trabalhar, dormir, pegar um cineminha e uma balada depois do jantar. Viagem nas férias, luxo de poucos. Mas será que as pessoas sabem que o mundo existe? É, o mundo ó, esse aqui:







E será que se dão conta de que a visita a este mundo é rápida? Um dia dura muito, mas a vida passa rapidinho. E na minha opinião, ser feliz passa por conhecer o mundo. Porque há tantas maneiras de viver a vida, e elas mudam de acordo com o lugar onde você está, e eu não posso conceber que sei o que é ser feliz se eu não conheço as outras maneiras. Talvez o texto leve à conclusão de que eu não sou feliz, e não é isso. Absolutamente, não! Eu sou sim, muito feliz. Tenho saúde, uma família que é um sonho, um trabalho legal, sou reconhecida, tenho planos, tenho amigos, histórias pra contar, me acabo de rir. Mas eu sempre penso nas diferentes felicidades que existem. Porque como diz o início deste post, que eu tirei de um trecho do livro “Através do Espelho”, de Jostein Gaarder, os humanos se acostumam com o mundo, e mal sabem o quanto ele é/pode ser maravilhoso.
Este post é uma reflexão sobre o modo como eu vejo o mundo e a felicidade que eu sinto por ele existir, e por eu saber disso. Conhecer os vários pedacinhos dele é outra história. E essa outra história me dá uma certa angústia, porque não é só ter dinheiro para gastar sola de sapato e milhagens com viagens all around, é a velha prisão “acordar, trabalhar, comer, correr” em que vivemos todos. É que nem vitrine de padaria: cheia de doces, confetes, tortas, chocolates, guloseimas maravilhosas e você jamais vai saber o gosto de tudo. Porque não dá tempo, ou porque você tá sem dinheiro, ou porque tá atrasado pra trabalhar, ou porque você nunca experimentou e nem sabe o quanto é bom, e desdenha.
Tô com a impressão de que eu estou olhando para o mundo que nem cachorro babando em frente ao frango da padaria.
Pronto, falei.