PS: lembrar da resistência

A campanha política começou anteontem e eu já a odeio com a força de Hércules. Não porque não gosto de política (ruim com ela, pior sem ela), não porque são mentiras muito pouco sinceras, não porque entram em cadeia de rádio e TV (viva as TVs por assinatura e Netflix). Mas porque os carros de som podem acordar minha filha na soneca do fim da manhã. E eu amo/preciso/aguardo ansiosamente a soneca dela do fim da manhã. É quando eu faço uma pausinha no meio do dia pra descansar do Discovery Kids, do cavalinho upa upa, do corre corre pra lá e pra cá, do descasca fruta, faz suco, bate palma, tudo que eu amo fazer só pra ver o sorrisinho dela, mas que durante 12 horas seguidas exaurem qualquer ser humano. E assim que a ponho no berço e saio do quarto, um pagode quebradeira passanarua e grita que ninguém “vai fazer o que ele fez”. Paro de respirar por alguns segundos: ela não acordou. Pulei essa fogueira.

Deito na cama e começo a pensar em todas as coisas chatas de adulto que não tenho tempo de pensar enquanto vejo Peppa e começo a listar na cabeça coisas que preciso fazer durante a semana. Ver o que preciso comprar no mercado para a semana. Não esquecer da resistência do chuveiro, que queimou e tenho tomado banho gelado – ge-la-do – toda noite antes de dormir. Mas não consigo lembrar qual o modelo porque a essa altura passa o carro de som da mais nova Santa Francisca de Assis, defensora de animais. Volumes altíssimos. Músicas medonhas. Números, números repetidos e gritos. O que eles pensam? “Quanto mais a gente escandalizar a vizinhança mais pareceremos confiáveis”? Malditos sejam todos. Já passaram uns cinco. Paro de respirar toda vez que um treme minha janela. Vontade de jogar um ovo em cima, ou um tomate, mas tá tudo muito caro. E pensar que isso ainda leva uns 40 dias.

Volto à minha lista, que tem dois itens. Deixo pra lá, porque o tempo irreversivelmente foge, e eu quero mesmo é tirar uma soneca. Manhã de domingo foi feita pra isso, e pra uma mãe de bebê, soneca no meio do dia é luxo. Quando me desligo de tudo, relaxo e fecho os olhos, mais um filho-de-belzebu passa na rua. Adivinhem o resultado.

Vem ni mim, 2 de outubro.

2 responses to this post.

  1. Posted by Marlene Gomes on 28 de Agosto de 2016 at 16:50

    Oi meu amor, tomara que essa resistência ai no seu texto faça você realmente lembrar e por um fim nessa história. Seu pai perguntou qual a marca e se prontificou a comprá-la. Beijos e um cheiro carinhosos.

    Responder

  2. Se eu tivesse a ordenança dos textos de Nardele estaria eu no quinto livro editado. Eu não sei chamar outra coisa quando minha ira não se acalma a não ser – “fie de puta” mas o certo é; “fie de belzebu”. Enche mais de prazer nossa caixa- toráxica.

    Responder

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: