Para as novas mães, com carinho.

Há um ano eu vivia meu primeiro dia das mães, como mãe. Acordei, olhei pra minha filha no berço, e sorri. Ela tinha quatro meses de nascida e as dores da cesárea já tinham ficado pra trás. Eu me preparava pra voltar ao trabalho depois da licença maternidade e das férias, que juntei. Eu era, enfim, mãe.

Mas naquele meu primeiro dia das mães nem tudo era maravilhoso. Eu estava morta de cansada, ela acordava muitas vezes à noite. Quando alguém me dizia, ou eu lia, “meu bebê de quatro meses dorme a noite inteira sem acordar”, eu achava que só podia ser mentira. A noite inteira? Àquela altura eu comemorava um soninho esticado de quatro horas seguidas, que em determinado momento virou coisa muito rara. Ela acordava a cada hora, ou duas horas, ou hora e meia. Às vezes dormia mais, outras menos. Não havia um padrão, e eu tinha virado um zumbi. É claro que eu não estava sozinha, meu marido revezava comigo. Mas muitas vezes era o peito que ela queria. Acordava muitas vezes, mas normalmente voltava a dormir relativamente rápido, 20, 30 minutos, desde que mamasse no peito. No dia seguinte eu ficava no quarto pra dormir um pouco mais, enquanto ela ia pra sala com o papai.

Foram meses difíceis nesse aspecto, embora todo o resto compensasse com larga margem essa dificuldade. Sempre foi maravilhoso ser mãe, desde o primeiro momento. Apesar de difícil, maravilhoso.

Chorei muito nas primeiras semanas. Nos primeiros meses. Nunca de tristeza, mas muitas vezes de medo, de susto, de angústia, de solidão. Só quem se torna mãe sabe o quanto sua rotina muda enquanto a de seus amigos continua sendo caranguejinho – cervejinha – praia – cinema. Chega uma hora em que a gente só pensa em fazer a doida e sair sem rumo, rebelde, deitar na areia da praia, deitar no cinema, deitar, deitar, deitar. Porque eu sentia falta da diversão, da cervejinha, mas meu sonho mesmo era dormir. Dormir 18 horas seguidas, sem acordar nenhuma vez, feito pedra.

É claro que fiquei com a roupa que acordei muitas vezes até a noite, que tomei banho correndo enquanto ela chorava lá fora, mesmo no colo do pai, ou de outra pessoa (tem uma fase, loooonga, em que o apego é enorme), claro que tive que escolher muitas vezes entre comer ou dormir, e quase sempre eu dormi. Mas entre esses e outros apertos, ela me fazia rir muito, brincamos os três até faltar ar, os olhinhos dela me fizeram chorar de tanto amor com que me olhavam. E amamentar… a coisa mais mágica e maravilhosa que já fiz na vida. Ter um parto natural teria sido um sonho, que infelizmente não realizei. Mas amamentar foi a melhor coisa que já fiz. E fiz por mais de um ano, que sorte a minha. Indescritível. Sublime. É ainda mais do que isso.

Às mães que estão passando por todo esse turbilhão dos primeiros meses, eu tenho uma coisa carinhosa a dizer: vai passar. Vai passar! Vai melhorar! Esqueça o que te disserem se for diferente disso. Ignore o “é daí pra pior”. Vai passar sim, e fica cada vez melhor. Seu filho vai dormir. Você vai dormir. Ele vai ficando mais independente e vai brincar com você, e também sem você. Você vai poder cuidar de você, aos poucos, mas vai. Da casa, da sua vida profissional, do seu amor. É devagar, respeite o tempo do seu bebê. Mas um dia você vai perceber que noites sem dormir são comuns na vida de mãe e filho, e que um belo dia vocês estarão dormindo tranquilos.

Ouça música com ele, cante pra ele, dance. O melhor brinquedo de um bebê é pai e mãe. Folheie livros, ensine a fazer carinho.

O começo pode ser difícil, mas vai ficando mais fácil. Acredite nisso e continue firme! Ou desabe de vez em quando, se tiver alguém pra te segurar, melhor. Lembre que super heróis não existem, mas as mães chegam perto.

Parabéns a nós, que descobrimos a cada dia que somos muito maiores do que jamais poderíamos supor. Que damos conta de tantas coisas, que às vezes só a gente, intimamente, sabe, mais ninguém. Ninguém. Mas lá dentro, a gente se ama mais porque pode amar tanto. E não pede nada em troca. Eu não peço. Mas minha filha me dá muito mais do que eu poderia sonhar em querer.

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2 responses to this post.

  1. Posted by Marlene Gomes on 7 de Maio de 2016 at 21:24

    Maravilhoso filha! É realmente indescritível . Quem passa por o que passou saberá valorizar mais sua mamãe. Um beijo grande e Parabéns pela MÃE que está sendo.

    Responder

  2. Posted by Pyl on 8 de Maio de 2016 at 9:21

    Lindo demais, e muito verdade ! Emocionante ! Parabéns pela super mãe que vc se tornou !!! 😘

    Responder

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