Bach, a palavra e o pensamento

Que coisa louca e encantadora me aconteceu agora, há não mais que cinco minutos. Estou rindo sozinha em frente ao computador porque não sei bem como verbalizar isso, mas vou tentar.

Basta dar uma “folheada” neste blog (o certo seria “rolada de página”, mas folhear é bem mais melódico, vocês vão entender) pra perceber que não o atualizo com uma frequência regular. Escrevo quando dá na telha, embora gostaria que desse bem mais na minha telha, essa coisa de escrever aqui. Mas hoje eu sabia que escreveria. Não tinha um assunto, mas escreveria. Até tinha um, que na verdade sentei pra desenvolver, mas não conseguia gostar do raciocínio, achava desinteressante, embora fosse interessante, essa coisa confusa que dá – essa sim, frequentemente – na minha telha. Depois ensaiei outro assunto sobre o qual nem tinha pensado e foi ficando assim, assim, não era aquilo ainda. Até que pensei “vou me inspirar por aí”. e resolvi acessar alguns dos blogs e sites mais interessantes que eu conheço, pra ver se acendia uma luz. Fui no primeiro deles, o Papo de Homem (olha, feministas, podem brigar, papo de homem é super inspirador pra mim). E no primeiro link que cliquei fiquei absolutamente apaixonada. Vou refazer os caminhos dessa sequência curta e louca que minha cabeça fez pra que eu ficasse assim.

Mais cedo, estava assistindo o primeiro capítulo da sexta temporada de House, que acompanho dedicadamente. Adoro House. E em uma cena aparece uma pessoa com um cello tocando uma música. “Isso é Bach!” Comentei. Ah, Bach, só Bach mesmo, com essa música divina, sublime, que cala tudo. Te amo, Bach.

Aí pulamos para a parte em que eu escrevo e apago, escrevo e apago e resolvo acessar o PdH. Aí eu leio um texto que traz uma música. Bach. O mesmo apaixonante prelúdio de Bach do capítulo de House. E esse texto fala sobre uma literatura melódica, sonora, emocionante, e inovadora. E aí me cresce instantaneamente uma fé infinita na palavra, no texto, nas infinitas possibilidades de pensar e criar. Nas linhas que ainda não foram escritas. Nas que milagrosamente foram. E em como eu sou apaixonada pela palavra. E em como elas podem, juntas, me emocionar desse jeito simples e bobo e ao mesmo tempo genial, como no caso de “poucos dias depois de completar trinta anos Emilia morreu, e então não fez mais aniversário porque começou a estar morta.” E no que o autor da postagem (que não é autor deste trecho) completou brilhantemente, propondo que se a morte começa, ela pode pode ter meio, e acaba em algum momento. Sem pensar em religião, qual seria o fim da morte, e o durante? Não sei. O que eu quero é só me deliciar com o pensamento. Esse universo desconhecido das ideias loucas e transformadoras. Cliquem >aqui<, leiam, leiam.

Ainda pescando o post de Rodolfo Viana. Se, como disse o jornalista e escritor Felipe Pena, “escrevo porque não sei fazer música; Se soubesse ler partituras e articular notas harmônicas, não me arriscaria nessas linhas tortas e analfabetas”, só me resta agradecer a Deus, que nem todos saibam fazer música. Assim a arte escrita pode existir à vontade.

E para falar com Deus, nada melhor do que ouvir Bach.

7 responses to this post.

  1. Que delícia de ouvir!!! E melhor ainda sentir!!!

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  2. Posted by Ari Coelho on 4 de Junho de 2012 at 21:57

    Delícia de ler!

    Responder

  3. Posted by Adriele Rocha (@adrielers) on 4 de Junho de 2012 at 22:04

    Assim, minha cabeça deu um nó, foi tanta informação…e emoção.
    Falando da confusão para parar e produzir algum post, é exatamente assim que me senti e me sinto todas as vezes que tento criar/manter um blog. A diferença é que eu nunca consigo, pelo menos não até então. É esse bloqueio em escrever que me atrai ainda mais a ler blogs, em especial esse aqui que trás sempre a palavra certa, na medida.
    Realmente, temos que agradecer a Deus por nem todos saberem fazer música, nos dando a honra de apreciar a arte da escrita.
    Ainda bem!

    Mas sim, eu não sei fazer música e nem escrever. E agora?! rs

    Grande abraço Deliinha.

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  4. Oi Delinha,

    Beijos.

    Eu não sei escrever, fazer música e interpretar também tá difícil. Uma coisa tenho certeza. Esse dom é dado por Deus. Ele deu pra você meu amor. Cada dia, mais admiro você e tenho um amor intenso. Palavras de mãe.

    Marlene Gomes.

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  5. Posted by Jailson Gonçalves on 5 de Junho de 2012 at 14:32

    Nossa! e por falar em escrever… Seu texo é uma delícia! Vc passa as idéias com uma maestria de de uma verdadeira escritora! Com uma simplicidade que até parece ser fácil rsss parabéns! Depois dessa leitura, nada melhor do que ouvir essa pérola.
    Abs,

    JG.

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  6. Como você escreve bem e toca bem fundo! Faz nos refletir.
    Beijos

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  7. Posted by Romualdo Junior on 24 de Agosto de 2012 at 1:06

    Nardele, parabéns pelo texto e por falar de bach, o meu preferido entre os compositores.
    Conheci hoje o seu blog e pude também conhecer uma mulher ainda mais admirável do que aquela que ouvimos na “radinha”.
    Voltando a Bach, jamais esquecerei do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de São João.

    Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a platéia, uma assembléia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistério, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da música, seja ela secular, seja sacra, hoje, infelizmente, contente com tão pouca beleza.

    Muito obrigado por sua habilidade com as palavras, faça deste dom um audível testemunho do quanto o ser humano é belo.

    Junior

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