Miss you, love

Pra ler ouvindo Miss You, Love (nossa música!)

Estou convencida de que os momentos que a gente vai lembrar pra sempre na vida são aqueles que parecem ser mais banais. Que passam batidos pra todas as pessoas que não estão envolvidas neles. Estou dizendo isso porque hoje é aniversário da minha irmã, Railene, a quem eu chamo de Pyl, Pel, Pelga, Acelga, Welma, e tantos outros nomes malucos que ninguém entende, mas ela entende, e é isso que me importa. Morro de saudade dela todos, todos os dias. Ela mora na França, essa danada, mãe de Estebinho e Rafinha. Eu tenho uma infinidade, diria a maior coleção do mundo de momentos lindos e inesquecíveis com minha irmã. Grandes e pequenos. Eu não exagerei, devem ser mesmo infinitos. Mas um, unzinho em especial, me marcou de uma forma inexplicável. E é esse que eu vou contar.

Era uma festinha de aniversário infantil, “lá embaixo”, no nosso prédio. As crianças estavam eufóricas, ia começar o rasga-saco. Havia muitos meninos, algumas meninas, e nós duas. Ela é dois anos mais velha que eu, “a protetora”. Todos estávamos ansiosos pra começar logo. Lembro de repetir “quero um pirulito 7 Bello!” Devia ser meu preferido. Ou era pirulito Zorro, sei lá. Eu queria um pirulito. Confesso que eu sentia um medinho do rasga-saco, de apanhar dos meninos maiores, de ser empurrada, de não conseguir pegar nada. Uma montanha de sentimentos bem infantis, e totalmente explicados, eu era criança, tipo cinco anos.

Não lembro direito como era o processo, o fato é que tinha um saco enorme que ficava suspenso, recheado de doces e brinquedinhos, e tínhamos que rasga-lo, e depois todo mundo se amontoaria pra pegar o que caísse. “Um, dois, três e já”. Eis que na confusão o saco rasgou, caiu um monte de coisas no chão e lá fomos nós. Eu fiquei na briga. Me joguei no meio, mas como era de se esperar não consegui pegar nada, ou quase nada. Um apito, uma bala, uma bobagem insignificante. Ela veio com algumas coisas, mas também não conseguiu muito. Os moleques eram do tipo pestes que não sabem brincar. Homens…

Aí ela viu que eu não peguei o pirulito e ficou desapontada. No decorrer da festa a mãe do aniversariante veio com uma sacolinha que tinha mais doces dentro e logo começou uma fila de crianças, sempre querendo mais. Rai pegou minha mão e disse “venha, Dele”.

Fui. Eu olhava pra ela, mão dada, ela olhava pra frente, decidida. Ia resolver aquilo pra mim. Segurava firme minha mão. Ficamos na fila. Não era pirulito. Quando chegou nossa vez ela disse “eu queria saber se ainda tem pirulito 7 Bello, Dele queria um, mas não conseguimos pegar”. A mãe do garoto sorriu, foi lá dentro, na volta disse “sorte, era o último!” E eu ganhei meu pirulito.

Momento emoldurado e guardado pra sempre. Intocável e imbatível.

Ela:

6 responses to this post.

  1. Posted by silvinha on 18 de Abril de 2012 at 22:13

    nossaaaa , que lindooo!!! emocionada!! lembro bem de vcs sempre juntas, amigas, companheiras no salette. achava lindo como ela era cuidadosa com vc. ai que saudade !! maravilhoso seu depoimento, Dele. Vcs duas sao exemplos de i
    rmãs de vdd. que deus as proteja e as mantenham sempre unidas, mesmo de longe. bjkss nos dois tesouros de D. marlene e Sr. Raimundo.

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  2. Que lembrança linda! Concordo demais com você quando diz que os momentos que a gente vai lembrar pra sempre são aqueles que parecem ser mais banais. Felicidades para sua irmã e para você também! Sucesso!

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  3. Posted by Myl on 25 de Abril de 2012 at 18:20

    Pyl, demorei mas não podia deixar de vir aqui e dizer novamente o que eu te disse no outro dia! Lembro perfeitamente desse aniversario, mas não lembrava direito dessa parte do pirulito. O que eu nunca me esquecerei é da nossa cumplicidade, amizade, nossa ligação espiritual onde a gente se entendia apenas com um olhar e uma risada… Saudades da nossa infância, das manhãs com Guliverlândia, de Jaque e Déa, de moça e suas filhas, saudades das nossas tardes com sessão da tarde, nossas piscadas na cama pra ver quem abria o olho primeiro, nossas crises de riso com nossos abraços meteoricos, enfim, saudades, simplesmente saudades…

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  4. Coisa linda de se ler!
    Adorei!
    Beijos,
    Nathalie

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  5. vixe, chorei!🙂

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