Sobre o que nos espreita na sombra

Quantas vezes vamos nos deparar com o que somos, e não queremos ser, até que a gente comece a fazer algo pra mudar essa condição? E será que essa mudança é mesmo possível? Se não for, dá pra aceitar isso e continuar vivendo e se desagradando de tempos em tempos?

Algumas questões existenciais nesta noite. O que eu sou e não gosto me ataca quase todos os dias. Me confronta comigo, me enfrenta. Ri de mim, da minha incapacidade de deixar de ser. Mas ela que se acha tão dominadora, me pertence. A gente se bate de vez em quando.

Há de ser assim com todas as pessoas no mundo. Sempre há alguma característica detestável, fraca, angustiante, procrastinadora, insegura, agressiva. Aquilo que chamam de sombra. O que a gente não estampa na cara, no trato social, mas no íntimo das nossas vidas ela sempre aparece pra te desafiar. Porque – na maioria das vezes – ela te prejudica. Ela te puxa pra onde você não quer ir. Se você quer ser forte, ela te acovarda. Se você quer ser pacífico, ela te envenena. Se você quer ser convincente, ela te faz inseguro. E assim vamos vivendo a vida, sempre ameaçados por nós mesmos, na nossa pior forma, mesmo que escondida. Dá pra mudar isso? Vai saber. Psicólogos deveriam poder explicar, depende de quando-como se adquiriu a tal sombra. Eu acho muito difícil transformar uma personalidade. Mas eu sigo acreditando que é possível, porque senão, o que resta? Absorver algo que não te ajuda em nada, só atrapalha? Não, obrigada.

Talvez esteja aí o grande sentido da vida, do universo e tudo mais. Viver cada dia tentando aprimorar algo em nós mesmos. Porque se há uma tarefa incansável e – droga – que parece interminável, é essa tal autotransformação. O resultado final é promissor, todos os nossos problemas teriam terminado ou seriam pequenos, diante da nossa perfeição. Mas aqui todo mundo é grandinho pra saber que ninguém é perfeito, nem será.

Diante disso, resta tentar, todos os dias, chegar o mais perto disso que for possível. O ideal não existe, mas existe o ótimo. E é atrás dele que é preciso ir. E pra chegar lá é preciso estar atento, mas sem neurose. Relaxar, observar, fazer o possível dia a dia. Essa busca não pode ser insana: ou estaríamos apenas acrescentando “ansiedade” ao currículo das nossas sombras.

2 responses to this post.

  1. Posted by jose carlos on 27 de Março de 2012 at 22:19

    vç me fez confundir td meu raciocinio,amanha vou lercom calma

    Responder

  2. Posted by Fran on 20 de Julho de 2015 at 9:57

    bonito texto Nardele

    Responder

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