Sou Pessoa.

“Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros).
Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta traições de alma a um caráter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenha.
Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore [?] e até a flor, eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada [?], por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço.”

(Fernando Pessoa)

Não vim pra explicar. Vim confundir.

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3 responses to this post.

  1. Posted by Rejane on 1 de Fevereiro de 2012 at 16:56

    Hmmm, acho que esse cara tá meio confuso e perdido. rsrsrs
    Bejios
    😉

    Responder

  2. Posted by Alexandre on 1 de Fevereiro de 2012 at 20:31

    Interessante este texto me remete as vidas paralelas onde podemos viver o que não somos e ser o que não queremos. E as constantes incongru?encias₁ de querermos ser coerentes, quando na verdade somos hipócritas dentro de nossas verdades que só servem para nós mesmos.
    ₁incongruências: esta palavra deveria ser escrita com ?

    Para ler ouvindo:

    Responder

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