Archive for 12 de Dezembro, 2011

Bateu asas

Hoje meditei. Preparei tudo, o incenso que eu gosto, luz baixa, persianas fechadas, música relaxante. Sentei e esperei todos os pensamentos se apresentarem a mim. Quem quis aparecer, apareceu. Os problemas urgentes, e os recentes, deram “oi” e seguiram caminho. A alegria de estar em casa, fazendo as pazes com as minhas coisas, veio, me abraçou e ficou. Meus prazeres mais enraizados, antigos, também vieram me ver. Meus últimos sonhos, indecifráveis e estranhos, atravessaram em minha frente. Até que o moço que o recolhe o lixo dos apartamentos do prédio tocou a campainha e mandou todo mundo embora. Mas eu não fiquei nada chateada. Pensei em como eu quero minha casa – e minha vida – organizada, respirei, levantei e resolvi tudo em instantes.

Depois sentei em frente ao computador, mas o que atraiu minha atenção foi um mosquito preso no vidro da minha varanda. Ele tentou sair, tentou, se debateu, se cansou. Acho que ele respirou, se é que mosquito respira, e parou um pouco. Andou pra lá e pra cá, tentou explorar possibilidades. Subiu, parou e ficou lá um tempão. Se mosquito tivesse audição, eu juro que teria se acalmado com a música que eu tava ouvindo e que também me acalmou. E aí eu me senti meio como ele. Não no lugar físico errado, mas num lugar errado, de onde eu queria sair. E como ele, eu também estava parada, respirando, explorando possibilidades. “Não se afobe não, que nada é pra já”, eu diria a ele a frase que repito pra mim de tempos em tempos, pra internalizar que a vida é agora, mas não é só agora. E seja qual for o próximo passo, é preciso respirar, pensar, explorar possibilidades. Há tantas coisas lá na frente. Quais serão elas? Responda quem puder.

PS 1: Devo salvar meu mosquitinho angustiado?

PS 2: A música era essa.

PS 3: Antes de clicar em “publicar”, olhei pro vidro. Ele já tinha ido embora.

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