Dias melhores

Das habilidades que eu tenho, uma das que faço melhor é observar as pessoas. Como elas andam, como se mexem, como falam, isso diz muito sobre quem são. Dirigir e observar então é uma fonte quase sem fim de inspiração. Hoje me peguei ouvindo rádio no caminho pro trabalho e numa dessas tocou Dias Melhores, do Jota Quest. E aquela música se encaixou com a tarde nublada e com as pessoas que eu vi na rua. De repente eu senti como se conhecesse cada uma delas. Suas angústias, principalmente. Pareciam todas tão angustiadas… tão cheias de questões, de dores, de lutas. Acho que estavam todas esperando dias melhores mesmo. O garoto que agradeceu a carona de um senhor, fechou a porta do carro e saiu correndo no meio da rua, acenando para o motorista do ônibus. Pressa, batalha. A senhora de olhar perdido, carregando um saco rasgado, aparentemente pesado, esperando para atravessar uma rua movimentada. A moça que dividia os braços entre bolsa, guarda-chuva, livros e um bebê. O rapaz de andar apressado, desviando de outros tão iguais a ele. Todos correndo. Todos tão sérios, enfrentando suas vidas. Às vezes eu fico pensando como são suas casas. Que histórias têm. Que vitórias saborearam? Que dias melhores eles esperam?

E o mais importante: até quando vão viver apenas esperando dias melhores?

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6 responses to this post.

  1. Posted by Rejane on 31 de Maio de 2011 at 21:55

    Faço isso direto!
    Gosto de observar as pessoas e imaginar suas histórias de vida.
    Cada um deles tem uma história de vida e uma personalidade muitas vezes moldada pela vida que tiveram ou tem. Como foram criados etc.
    Acho o ser humano muito interessante, bizarro algumas vezes.
    Capazes de cometer as maiores atrocidades e, ao mesmo tempo, de fazer coisas belíssimas e tomar atitudes nobres.
    Falando em coisas belas, compre o DVD “Playing for Change”.
    O DVD, e não o CD. (Juro que não ganho comissão)Na Cultura tem.
    Depois me conte o que achou. Eu sou encantada com aquele trabalho.
    Beijo

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  2. Posted by Alexandre on 31 de Maio de 2011 at 22:29

    Muito bom seu post, sempre imaginei a mesma coisa que você, quantas vidas! e sempre tive um pouco de vontade de participar, de cada uma destas vidas, de ajudar… Acredito que no Budismo exista a melhor explicação para esta sensação. O Budismo acredita que no começo só existia uma única luz, um dia esta luz foi destruída e surgiram pequenas luzes, frutos desta destruição, que somos nós. Daí esta sensação de que falta algo.
    Abraços,
    Alex

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  3. Posted by René Cortizo Schwab on 1 de Junho de 2011 at 11:19

    Nardele, falar de seus textos é lugar comum, mas você como sempre, com seu olhar diferente para o mundo, as coisas….consegue dar substantivo a muitas coisas legais.
    Eu saio muito sozinho e me pego tantas vezes observando esses detalhes, imaginando o que pensam, sonham e desejam essas pessoas…
    Vou muito a cinema sozinho e observo as pessoas entrando, os casais cada um com suas expectativas, demonstrações, sinais e sorrisos…
    O ser humano e tão interessante e tão veloz, que esses momentos deviam ser congelados numa tentativa de admirar, entender e despertar idéias…
    Não tinha ainda feito o exercício no trânsito, mas como perdemos tanto tempo, literalmente parados, é uma excelente idéia, pelo menos além de abstrair desse stress diário,
    façamos uma pausa pra ver as pessoas e o mundo na sua essência mais crua… gostei

    Abraço

    René

    Responder

  4. Por muitas vezes me pego sempre a observar e acabo adquirindo a fantástica qualidade de entender. Nesse momento, o meu sentimento de sempre entender e observar, me fragilizou a ponto de não querer mais entender nada. minha vida hoje é uma letra de Camelo: denso e solitário. Parabéns Nardele, pelo brilhantismo peculiar”!

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  5. Sua linda! Trabalho observando o ser humano e estudo sobre, há pelo menos 4 anos. Nunca seremos capazes de entender por inteiro a complexidade de um ser. Não há fórmulas para isso, pois somos um conjunto de particulares. Dentro dessa loucura toda, está cada um de nós e o que fazemos das nosssas particularidades. Eu, modéstia a parte, me esforço pra ter dias melhores todos os dias. Amei o post! Sua inteligente linda! rsrsrs Beijooo Naná!

    Responder

  6. Nardele,

    Eu leio o seu blog constantemente.
    Hoje, domingo um tanto nublado em Salvador, parei para ler seu blog para tentar me contaminar um pouco, com a sua alegria de viver que você transmite em seus escritos.

    Obrigada pelo Blog!
    🙂

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