A estrada nebulosa do futuro

Já entrou o mês de abril. Ninguém mais usa folhinha hoje em dia, mas se usássemos teríamos arrancado 93 páginas. Mais de 3 meses já se foram. E aí? O que você já fez? Será que a maioria das pessoas sabe quantificar o tempo? Ou vai administrando de outra forma? Ou vai sendo levado pelos dias, como se eles fossem ser sempre os mesmos, como se começássemos tudo de novo ao acordar? Na verdade não começamos tudo de novo ao acordar. A gente continua o que parou no dia anterior. A vida é uma sequência, e não existe nada mais óbvio do que isso, mas às vezes é preciso estar atento pra não cair na armadilha de acreditar que se vive pra sempre. Hoje fui a uma consulta médica (garganta, seja educada, diga “oi” às pessoas – Oi!), do jeito que não se vê mais hoje em dia. A consulta durou bem mais de uma hora, com direito a bate papo, filosofia e muitas risadas ao ler o meu prontuário de quando eu tinha 10 anos de idade, que ele resgatou do arquivo. Em dado momento meu médico querido escrevia a receita e quando colocou a data suspirou: “Puxa, 4 de abril… eu tenho tantas atividades que sou consumido pelo trabalho e não vejo o tempo passar. Tenho um trabalho grande para apresentar em junho. Vai dar, vai dar…” E assim vamos, a humanidade caminhando, a maioria a passos lentos, em direção a algo que não conhecemos, que geralmente não planejamos e que vai se apresentar pra nós ali na frente.

Estive pensando outro dia: as pessoas que você conhece hoje, com quem você convive, onde estarão elas daqui a uns anos? Será que atingirão seus planos? Será que permanecerão unidas? Será que você vai saber? E você, onde estará? Fazendo o que e com quem? Vai estar feliz? Vai se sentir realizado (a)? Vai ter colocado aquele sonho antigo em prática ou vai ficar satisfeito em ter o que lhe veio com o tempo? Será que vai ter saído da inércia? Será que arriscou algo? Será que deu tudo errado? Será que deu tudo certo, mais do que você imagina?

Hoje estou me sentindo reflexiva sobre o passar do tempo. Dos três meses desse ano, dos dois últimos anos, dos dois próximos. Que limbo é esse que a gente vive e que não decide nada? Ou quase nada?

14 responses to this post.

  1. Posted by René Cortizo Schwab on 4 de Abril de 2011 at 21:22

    O que faríamos se pudéssemos ter todas essas certezas? Talvez entrar em contradição para podermos encher a vida com um pouco de dúvidas…
    É tão difícil caminhar por essa estrada, sem contemplar essa eterna dúvida se estamos realmente vivendo cada segundo com a intensidade que ele merece, com a beleza que ele merece.

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  2. Eu nao sei qualificar, nem administrar meu tempo. As vezes eu tenho preguiça de questionar as coisas, sempre virão mais questionamentos, não gosto de pensar “na vida, no universo e tudo mais”.
    Nunca parei para pensar se estou bem com isso, talvez por medo de perceber que estou infeliz e não saber que caminho tomar… Não quero pensar, pois as coisas vão acontecer de um jeito ou de outro, a questão é se eu vou saber aproveitar as oportunidades ou nao. Sempre rola “nossa não acredito que deixei isso passar”, mas até agora tem funcionado para mim aproveitar o que der e o que não der já era.
    Lendo o seu texto percebo que fujo das coisas. E isso é triste.
    —-
    esse comentário parece mais um texto. foi mal aê. ;*

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  3. Posted by nardele on 4 de Abril de 2011 at 21:34

    Íris, minha flor, não se “apoquente” tanto não. Se serve de consolo, é assim com todo mundo, ou quase todo mundo. Mas é importante a gente parar pra perceber isso, nem que seja pra passar batido, mas que passe batido conscientemente. Ou então, quem sabe dar uma chacoalhada e mudar alguma coisa? Uma coisinha que seja? Uma hoje, outra amanhã? Será que dá? Boa sorte pra nós!

    E Renê, como te disse no twitter: créditos pro seu tio, meu querido Dr. Severino Cortizo. Nossa longa conversa de hoje me inspirou essa reflexão. Obrigada!

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  4. Oi Dele,
    Nem me fale em tempo! Hoje mesmo pensei nisso… Em como o tempo passa e em como aproveito esse tempo! Trabalho tanto, estudo tanto, faço tantas coisas as mesmo tempo que as vezes penso que vou “pifar”.
    Mas, reservo maravilhosos momentos para mim, meu marido, meus pais, amigos, minha cachorra, meu jardim, minha horta… Nossa… Como tenho tempo não é???? Acho que, o que temos mesmo, é parar de dizer que não temos tempo, e começar a fazer algo com por nós mesmos. Algo que nos faça realmente felizes.
    Eu faço, façam vocês também.
    Beijos.

    Responder

  5. oi Delinha. Volta e meia eu penso sobre isso: O tempo. O tempo q passa tão rápido… E eu? Não fiz nada do q eu queria ter feito… Se bem, que consegui fazer uma q há anos tento fazer: PARAR DE FUMAR! Consegui!! Meu ano novo começou qdo parei de fumar! há 47 dias. E isso me fez ver uma pontinha de esperança, que conseguirei realizar mais algumas ainda este ano! Bjs e me visite.

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  6. Há alguns dias estava nessa reflexão, mas fiz o caminho contrário: em vez de confrontar o hoje com o amanhã, confrontei o ontem com o hoje. No fundo a idéia é a mesma!
    beijocas

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  7. Posted by Dimileto on 13 de Abril de 2011 at 14:14

    Olá filha!

    É bem verdade que, no que tange ao assunto “tempo”, vale ressaltar que a falta de objetivos, a desmotivação profissional e a rotina são 3 dos principais fatores que influenciam na nossa “contagem” dos dias…

    A “grosso modo”, nosso cérebro funciona como um computador. Você já percebeu que, na “segunda vez” que você abre um programa, ele abre “mais rápido”? Isso ocorre porque os dados ficam salvos em “cache”.

    Quando fazemos as MESMAS COISAS TODOS OS DIAS é como se nosso cérebro já “nem fizesse tanto esforço” para olhar certas placas no trânsito, nem para dar algumas respostas usuais, e muito menos para realizar certos tipos atividades no trabalho.

    Nessa situação, como a pessoa não se “surpreende” com nada, não faz nada novo, nada que já não tenha “salvo” no cérebro, parece que os dias passam rápido… e cada vez mais rápido…

    Em suma… Vá a “outros restaurantes”! Mude o “caminho de ir para casa”! Assista outro canal! Dê uma oportunidade a escutar um outro tipo de música!!

    1 abração!!!!!

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  8. Posted by Dimileto on 13 de Abril de 2011 at 20:10

    Opa! voltei aqui porque ficou parecendo q me referi a vc no texto! (risos)

    Na verdade quis falar genericamente e, inclusive, “me adiciono” ao grupo das “vítimas da rotina”!!

    1 cheiro!

    Responder

  9. Passam as horas, o dia o mês… Passa a vida em frente à janela dos sonhos, as esperanças… Passa a vida pela janela da vida!
    Tudo parece diferente, o sabor, a luz, o som, o calor… Passa tudo o que já se viveu.
    Encontro-me em uma janela que por onde eu vejo há oportunidades, porém, tão perto e tão distante de mim. Distante mesmo das janelas dos sonhos, da alma, da vida!
    Está na hora de saber superar, enfrentar, buscar nos sonhos o caminho ideal a seguir…
    Não vejo uma porta adequada, à qual devo entrar e encontrar um mundo diferente, uma vida diferente. Por onde começar? Qual porta entrar?
    Oh, dúvida cruel!
    Ser ou não ser, eis a questão!
    Em nosso espírito sofrer pedras e setas, com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja ou insurgir-nos contra um mar de provações.
    E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. Dormir: não mais.
    Dizer que rematamos com um sono a angústia
    E as mil pelejas naturais heranças do homem:
    Morrer para dormir… É uma consumação.
    Que bem merece e desejamos com fervor.
    Dormir… Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
    Pois quando livres do tumulto da existência, no repouso da morte o sonho que tenhamos
    Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita.
    Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.
    Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo, o agravo do opressor, a afronta do orgulhoso, toda a lancinação do mal-prezado amor, a insolência oficial, as dilações da lei, os doestos que dos nulos têm de suportar.
    O mérito paciente, quem o sofreria, quando alcançasse a mais perfeita quitação com a ponta de um punhal? Quem levaria fardos, gemendo e suando sob a vida fatigante, se o receio de alguma coisa após a morte:
    – Essa região desconhecida cujas raias jamais viajante algum atravessou de volta.
    Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?
    O pensamento assim nos acovarda, e assim, é que se cobre a tez normal da decisão.
    Com o tom pálido e enfermo da melancolia;
    E desde que nos prendam tais cogitações, empresas de alto escopo e que bem alto planam, desviam-se de rumo e cessam até mesmo de se chamar ação…
    (Hamlet, príncipe da Dinamarca, uma peça de Willian Shakespeare.)
    A ação de realizar, buscar o que me agrada, incumbido de encontrar por caminhos escuros e tortuosos a essência do bem viver, a fragrância do mais suave perfume, o combustível que nos move em cada ação que buscamos nos infortúnios e obscuros caminhos da vida.
    Uma cena, uma graça, um sorriso. O conjunto de fábulas dizimadas pelo ódio e a vida comum, os problemas do cotidiano, a desigualdade, a falta de interesse, o descaso com o próximo, a lama, a hipocrisia… Enfim, o mundo em sua real denominação.
    Saber esperar, não sei até quando poderei agüentar, as noites mal dormidas, os sonhos que não me encontraram…. A preocupação de um novo dia a chegar e não ter por onde andar, não ter pra onde correr, a quem apelar.
    Saber esperar o que? Esperar a lua encontrar com o sol, ver em cada estrela um brilho diferente, e que esse mesmo brilho ilumine as idéias, as palavras, as ações, o coração, a vida…. Que nada! Tudo isso é apenas uma ilusão!
    Acordar? Viver? Cantar? Elogiar? Amar?
    Fazer todas essas ações e outras que a vida exige… Encontrar um amor, fazer alguém feliz…
    Superar?
    Quem sabe!
    Mais nada disso adianta se eu não souber esperar!

    Responder

  10. Posted by Alexandre on 3 de Maio de 2011 at 18:07

    Eu uso folinha de calendário e na geladeira.

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  11. Posted by Alexandre Ceribelli Lóis on 15 de Agosto de 2011 at 20:47

    Uma trilha sonora para o seu belíssimo texto!!!! Parabéns!!!

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  12. Posted by Marcelo on 7 de Março de 2012 at 16:30

    “As vezes nos perguntamos o que sera o futuro?

    apenas uma realização do que plantamos no presente?

    ou um reflexo de toda uma vida administrada em etapas

    que conhecenhos por Nascer, Crescer, Desenvolver e Morrer.

    A vida é subjugada pelo tempo, ele esta em todos os momentos

    de nossa historia, nos conduzindo por uma linha que os olhos estão fadigados

    de ver, que os ouvidos estão cansados de ouvir, que somos condicionados, sem opção.

    Mas entre o tempo que passa, as vezes sem deixar vestigios. A escolha do homem pode

    transpassar o tempo e alcançar a eternidade e o predicado deste sujeito se torna ” para sempre”.

    Marcelo Assunção

    Responder

  13. Posted by Donatan Alves on 23 de Março de 2012 at 14:15

    Muito bom, muito bom mesmo !

    Abraço !

    Responder

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