As verdadeiras máquinas do tempo

Sabe aquelas lembranças profundas? Aquele cheiro, aquela palavra, aquele cenário ou aquela música que te marcaram tanto um dia, ou durante um tempo, que passam a fazer parte de você, de sua história e até de sua personalidade? Que te remetem como num passe de mágica a uma época, um lugar, um abraço, um sentimento? Incrível como certas sensações se imprimem na gente para sempre. Tem perfumes que me lembram a escola, tem os que me lembram um amor feliz – que acabou, um que lembra um dia específico na antiga fazenda quando eu devia ter uns 5, 6 anos, e a chuva estragou minha boneca de papel que trocava de roupa. E todas as roupas. Apesar disso é uma lembrança tão linda. Intocável, no altar. Tem o perfume que me lembra minha irmã. Os perfumes são como marcadores de livro da nossa história.

As músicas também são. E eu tive vontade de escrever isso porque estava ouvindo uma música específica que eu gosto tanto, e sempre gostei, e nunca conheci ninguém que gostasse tanto como eu, que a considero minha. E eu quero que todo mundo se lembre de mim quando tocar. E eu fico com ciúme se alguém ouvir perto de mim sem me dizer. Porque é a música que me identifica. You Were Meant For Me, de Jewel, me fez comprar o primeiro cd da minha vida. Com meu primeiro dinheiro. Isso foi lá em não-sei-quando. Pieces of You, nunca vou esquecer aquela capa, já não tenho mais. Eu sabia de cor do primeiro ao último acorde do disco, com todas as nuances da voz (linda) de Jewel. E eu me apossei daquele repertório inteiro. E You Were Meant For Me era tão especial que eu aprendi a tocar no violão, não com aquela leveza e destreza dela, mas eu tocava, mal como fosse, porque eu precisava vivenciar aquilo. E aqui em casa todo mundo chama de “a sua música”. E ela atravessou tantas fases da minha vida que é quase uma amiga, meio que dizendo “não importa o que aconteça, eu sempre te direi esses versos, muito embora você tenha interpretações diferentes, que variam de acordo com suas emoções”. Certas coisas não mudam nunca.

Gostem, mas não adorem muito.

E depois dizem que não inventaram a máquina do tempo…

Advertisements

7 responses to this post.

  1. Posted by Dimileto on 25 de Março de 2011 at 21:07

    Olá Nardele.

    Como sou extremamente nostálgico, me sentí “em casa” nesse texto…

    Só para citar uma música que me traz diversas lembranças, vale citar “In Between Days”, do The Cure!

    1 cheiro

    Responder

  2. Posted by Laís on 25 de Março de 2011 at 22:59

    Olá, Nardele!
    Existem coisas que o tempo não apaga mesmo. A música sempre nos faz recordar bons momentos vividos, nos faz viajar no tempo.

    Essa música é linda!

    beijos!

    Responder

  3. Posted by Leno Assis on 26 de Março de 2011 at 0:26

    Nunca vi uma crise de garganta tão frutífera. Recolhimento forçado que te fez pensar, relembrar, revelar e encantar. Não paro de acessar o twitter. Bendito ócio criativo!

    Responder

  4. Posted by budiao on 30 de Março de 2011 at 20:47

    oi nardele
    eu estava garimpando garimpando procurando algo muito bom para ler e de repentemente te encontrei.
    te ouvir todos os dias tornou-se até uma mania durante todo esse tempo.
    mas nesse de repente encontrar o seu blog com muita coisa bonita
    é muito bom.
    se não se importar estarei sempre visitando o seu blog e se voce quiser me dar a alegria de visitar o blog do budião ficarei feliz.

    tchau
    bud.

    Responder

  5. Posted by silvinha lacerda on 31 de Março de 2011 at 22:55

    nossa delinha, depois do texto sobre sua vovó , esse foi o que mais me emocionou!! eu sou exatamente assim. musicas me emocionam sempreeeeeeeeeee. pois musica sempre fez parte de minha vida e eu sempre tive trilha sonora. a musica que mais me emociona, é uma do A-HA,hunting high and low, que me tras na mente a epoca do salette, das minhas amigas, amigos, td que vivi ali foi intenso. sempre que eu escuto me vejo voltando aquela quadra conversando, rindo, cantando, jogando handball, chorando por uma paquera.tem que ter né?? uffaaaaaaaaaaaa me empolguei!! kkkkkkkkkkkkk
    adorei este texto!! vc escreve coisas que mexe mto conosco. parabens!! arrasou na musicaaaa!!!!! amooooo
    bjssssssssssssss bonitona

    Responder

  6. Posted by Cleiton Hilário on 8 de Maio de 2011 at 0:07

    Incrível como somos todos saudosistas. Sempre que coisas do nosso presente passa por nós e vira passado, passamos a olhar pra ele como mais carinho e atenção que não tivemos no momento exato do fato, o passado sempre parece mais belo, mais romântico, mais interessante. Por mais que o dia esteja lindo e cheio de afazeres do dia-a-dia corrido e conturbado de quase todos os mortais, basta um cheiro, uma música, uma foto, pequenos detalhes de grandes momentos que deixamos para trás, imagine só quando o ócio nos pega de jeito.(rsrsrs)Assim como quase todos, também tenho “minha música”, ou melhor, “minhas músicas”, afinal, são inúmeros o momentos que tenho saudade e que guardo com muito carinho comigo. Mas a que mais me emociona é 1º de Julho de Renato Russo. Não sei dizer o porquê, mas me identifico bastante com essa música.

    Responder

  7. Posted by Raimundo Budião on 28 de Dezembro de 2011 at 22:12

    Nardele
    Um feliz 2012, cheio de projetos realizáveis.
    Com saúde, paz com os seus e com o mundo.
    E aquela idéia na cabeça e a impressora na mão.
    Lembre-se de Cachoeira e do seu livro.
    Bud.

    Responder

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: