Absolutamente nada

Escrever sobre nada é a tarefa mais subestimada de que me lembro agora. Sentar e escrever qualquer coisa não é tão simples quanto parece, ou quanto deveria ser. Sol, chuva, calor, amigos, animais de estimação, segredos, amores. Ter muito assunto limita muito as possibilidades. É paradoxal mesmo, e não faz sentido. Por exemplo, agora estou dentro do meu quarto, diante de uma parede que deveria ser vinho, mas que por conta de uma mistura malsucedida de cores se transformou num bordeaux. Bordeaux… Nunca tinha pensando que esta cor da qual não gostava muito é exatamente isso, bordeaux! Agora já estou gostando mais. A parede do meu quarto é bordeaux. Qualquer pessoa gostaria de ter um detalhe bordeaux no quarto. Detalhe porque é uma parede só, não as quatro. Voltando: estou diante da minha adorada parede bordeaux, quarto recém arrumado, roupa de cama nova, alguns porta-retratos, faz calor e o ventilador está no chão, desligado. Sei lá. Não sei porque não ligo, mas também não quero pensar nisso agora. Comprei um livro novo ontem, estou ansiosíssima, comecei a ler e parece muito interessante. Mas agora estou muito ocupada escrevendo sobre nada, e infelizmente não posso parar. Lá fora, meus queridos vizinhos ouvem músicas que poderiam ser trilha sonora de um filme Z. Ou colocaram no volume super turbo, ou o vento traz todo o som pra cá. O vento carrega o som, caso vocês não saibam. Mas está fazendo calor e não venta, o que leva à óbvia conclusão de que o volume é turbo. 17 linhas de nada. Começo a criar esperanças. Está rendendo. Minha meta é escrever um livro. As esperanças arrefecem, e me dizem pra procurar um assunto urgentemente. Talvez se ele surgir agora, eu consiga salvar minhas 19 linhas. Se não, vou precisar apagá-las e fazer tudo de novo. Estava até gostando desse exercício…

Escrito em 27/12/08.

5 responses to this post.

  1. Nardelita, apenas para criar uma espécie de “show do intervalo” ou “resenha” do seu “texto de assunto algum”, permita-me fazer um “comentário sem importância” linkando com seu texto (êta coisa de chato!)
    Bom, pelo que sei, vinho, bordeaux , grená e encarnado são nomes diferentes da mesmíssima cor. Aprendi isso meio que por obrigação, já que essa linda cor (que é a minha preferida inclusive) faz parte “das três que traduzem tradição” como diz o hino – por sinal lindo – do meu time, o hoje tão sofrido, mas eternamente glorioso, Tricolor do Rio:
    “Vence o Fluminense, com o VERDE da esperança, pois quem espera sempre alcança”…
    “Vence o Fluminense com amor e fidalguia, BRANCO é paz e harmonia”…
    “Vence o Fluminense com o sangue do encarnado, com amor e com vigor, faz a torcida querida, vibrar de emoção o tricampeão”…

    Beijo tricolorido – com destaque para o bordeuax!

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  2. Nesse momento me senti um pouco “menos inteligente” ao me deparar com a palavra “arrefecem”… tenho aimprensão de nunca te-la visto antes….. to preocupada!

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  3. Desculpa os erros do texto acima…. digitação!!!

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  4. Posted by nardele on 1 de Outubro de 2009 at 17:49

    Querida amiga Mas! Arrefecer: Fazer diminuir de intensidade; moderar o fervor, o entusiasmo. As esperanças, então, broxaram!!

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  5. Posted by Iriis on 20 de Novembro de 2009 at 9:26

    Até pra escrever sobre nada, escreve bem!

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