Atrizes (Em 26/07)

Atrizes, de Valeria Bruni Tedeschi, é o típico filme que rotulam ser o filme francês: interessante e incompreensível. Incompreensível? De certa maneira sim. O filme é uma homenagem ao mundo dos atores de teatro. Marcelinne, personagem principal, é uma mulher de 40 anos, que vive o conflito de não ter constituído família, não ser casada, e de viver o momento da menopausa sem filhos, e ainda morar com a mãe. Ela é uma atriz convidada a participar de um espetáculo de teatro, no papel principal, de Natalia Petrovna. Mas ela e a personagem são muito diferentes. Ela, insegura, triste, confusa, carente. A personagem, dona de si, tempestuosa, dominadora. Na vida de Marcelinne alguns homens passaram mas nenhum deles ficou, e ela se sente frustrada. No grupo de teatro se apaixona por um rapaz bem mais jovem, que sente o mesmo por ela, mas quando os dois descobrem isso a vida e seus desencontros tratam de afastá-los.

E é assim que o filme se desenrola. Quando você pensa que algo pode acontecer e mudar o destino de Marcelinne, nada acontece. Começa e acaba e a vida dela é a mesma. E por isso é incompreensível. Qual o sentido de um filme onde nada acontece? Mas a pergunta é: não é assim mesmo na vida real? Quem disse que sempre, todas as pessoas passam por revoluções na vida? Surgem amores arrebatadores, ou a pessoa perde tudo que tinha, ou fica famosa da noite pro dia, ou termina um relacionamento enfadonho? às vezes não. Tudo permanece igual, apesar dos sonhos e anseios, e orações pra Nossa Senhora abdicando de tudo em nome de um marido, como faz Marcelinne. E é por isso que Atrizes está recomendado. Por mostrar que às vezes a vida é exatamente assim. E que não necessariamente o cinema foi criado para sonhar. Numa discussão bem interessante no café com mais três amigas, depois do filme, surgiu o seguinte:

– Ah, o filme não tem fim.

– Mas às vezes o filme não tem fim.

– Mas não é aquele sem-fim que faz sentido, é um sem-fim que não diz nada! Nada acontece na vida da personagem.

– Mas às vezes a vida é assim, não acontece nada.

– Mas já não basta a vida real ser assim? O cinema bem que podia dar uma trégua.

E assim ficou. Porque o cinema tem que dar uma trégua? Se ele pode também ser um retrato da vida?

Bruni-Tedeschi e Louis Garrel

Bruni-Tedeschi e Louis Garrel

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: