Hoje meditei. Preparei tudo, o incenso que eu gosto, luz baixa, persianas fechadas, música relaxante. Sentei e esperei todos os pensamentos se apresentarem a mim. Quem quis aparecer, apareceu. Os problemas urgentes, e os recentes, deram “oi” e seguiram caminho. A alegria de estar em casa, fazendo as pazes com as minhas coisas, veio, me abraçou e ficou. Meus prazeres mais enraizados, antigos, também vieram me ver. Meus últimos sonhos, indecifráveis e estranhos, atravessaram em minha frente. Até que o moço que o recolhe o lixo dos apartamentos do prédio tocou a campainha e mandou todo mundo embora. Mas eu não fiquei nada chateada. Pensei em como eu quero minha casa – e minha vida – organizada, respirei, levantei e resolvi tudo em instantes.
Depois sentei em frente ao computador, mas o que atraiu minha atenção foi um mosquito preso no vidro da minha varanda. Ele tentou sair, tentou, se debateu, se cansou. Acho que ele respirou, se é que mosquito respira, e parou um pouco. Andou pra lá e pra cá, tentou explorar possibilidades. Subiu, parou e ficou lá um tempão. Se mosquito tivesse audição, eu juro que teria se acalmado com a música que eu tava ouvindo e que também me acalmou. E aí eu me senti meio como ele. Não no lugar físico errado, mas num lugar errado, de onde eu queria sair. E como ele, eu também estava parada, respirando, explorando possibilidades. “Não se afobe não, que nada é pra já”, eu diria a ele a frase que repito pra mim de tempos em tempos, pra internalizar que a vida é agora, mas não é só agora. E seja qual for o próximo passo, é preciso respirar, pensar, explorar possibilidades. Há tantas coisas lá na frente. Quais serão elas? Responda quem puder.
PS 1: Devo salvar meu mosquitinho angustiado?
PS 2: A música era essa.
PS 3: Antes de clicar em “publicar”, olhei pro vidro. Ele já tinha ido embora.

Posted by Taty Hayne on 12 12UTC Dezembro 12UTC 2011 at 14:45
Essa minha amiga, sempre tão precisa e profunda com as palavras. Sabe dizer coisas e falar de sentimentos como ninguém. Eu amo esses questionamentos e amo tê-la por perto me ensinando e compartilhando desses momentos, todos os dias! =*
Posted by Rejane on 12 12UTC Dezembro 12UTC 2011 at 14:55
Rá! Primeiraaa! rs
Tem uma frase que gosto muito e que sempre recorro a ela quando estou ansiosa por algum acontecimento, desdobramento de alguma coisa etc: “Amanhã pode acontecer tudo. Inclusive nada.”
E outra que gosto: “Pra que pressa? Eu não vou na conversa de ninguém. Quem corre cansa. Devagar se alcança o caminho do bem.”
Venho procurando ter paciência com tudo e com todos.
“Tudo tem seu tempo determinado. Há tempo para todo o propósito de Deus.”
Posted by Rejane on 12 12UTC Dezembro 12UTC 2011 at 14:57
( Pôxa…já não fui a primeira…
T. Hayne é rápida no gatilho! )
Posted by rafabota on 12 12UTC Dezembro 12UTC 2011 at 15:04
Mosquitinho??? Tem certeza de que era um mosquito? Tá parecendo mais um marimbundo (ou seria morimbundo??? Ah! Sei lá!).
Gostei do texto Nardele! Bem reflexivo e mostra o quão bom é parar, refletir, exercer a autocrítica e analisar as opções que podemos fazer na vida.
Espero pelos próximos textos.
Já salvei nos favoritos.
Abraços!
Posted by Jackson Luis on 12 12UTC Dezembro 12UTC 2011 at 15:05
MUITO BONITO!!!!ACHO QUE PRECISAVA LER ISSO HOJE.
Posted by budyowsky on 16 16UTC Dezembro 16UTC 2011 at 22:48
de repente voce começou á escrever o poema do mosquito contra a vidraça, e lembrou-me o besouro de j.g de araújo jorge ou os poemas de neruda, sobre a cebola. paris está nevando e te esperando, mas férias só paroano,
bud.