(Para ler ouvindo Silent Night, Sixpence None The Richer)
Cá estou eu, ouvindo Silent Night, olhando pra minha própria árvore de Natal, que acabei de montar e enfeitar. Na minha casa, pra onde mudei há três meses, deixando a casa dos meus pais. Numa segunda-feira estranha e nostálgica. Um dia em que senti muita saudade, de várias pessoas, momentos e coisas. Saudade de alguma coisa não explicada, de uma fase inocente, incondicionalmente feliz da minha infância. O Natal e suas várias caras. Eis que ele hoje veio em forma de nostalgia. Enquanto colocava cada bolinha na árvore ia lembrando de cada ano em que armei a árvore na casa dos meus pais. Sozinha, com minha mãe, com meu pai, com minha irmã. Eu sempre estava, é uma coisa que sempre gostei muito de fazer. Nunca esquecia de colocar músicas natalinas pra acompanhar o momento mágico. A mágica hoje, apesar de bonita, foi um pouco melancólica. Hoje senti vontade de dizer a algumas pessoas o quanto elas me fazem falta. Algumas há pouco tempo, outras há muito, outras todos os dias. Um sentimento bom, acho que dezembro me motiva a abrir mais meu coração, que já é um bobo, vou confessar.
Hoje, voltando pra casa com as caixas de enfeites e da árvore, vim observando todos os carros, sendo conduzidos por aquelas pessoas adultas que votavam pra casa do trabalho. E me lembrei de quando eu olhava pra eles no banco de trás, fazendo certo esforço pra conseguir ver, de tão pequena. Olhava e me sentia segura de estar também num carro, com minha família, voltando pra nossa casa, no Natal, doida pra chegar e acender a luz, fazer aquele barulho de criança que enche a casa, andar pra lá e pra cá sem rumo, só pra ver se estavam todos ali, o que faziam, sem nenhum pensamento mais profundo do que, descalça, “que chão geladinho da minha casa”.
E hoje era eu dirigindo meu carro, voltando do trabalho à noite, pra minha casa ainda sem família, mas que agora teria uma árvore de Natal pra me lembrar que na verdade, eu ainda sou aquela mesma criança que ri e adora sentir o fresquinho do chão. Fazendo um pouco menos de barulho, mas ainda hipnotizada pelas luzes do pisca-pisca.
Chorei e sorri.



Posted by irispodolski on 5 05UTC Dezembro 05UTC 2011 at 21:36
Aleluia!!!! ficou linda a arvore!
Posted by peterson on 12 12UTC Dezembro 12UTC 2011 at 14:51
Teletransportei-me há 8 anos atrás lendo: O Homem Duplicado, de José Saramago. Fantastico. Nobel de LIteratura.
Posted by nardele on 12 12UTC Dezembro 12UTC 2011 at 14:52
Assim você me derruba. Saramago é o rei.
Posted by peterson on 12 12UTC Dezembro 12UTC 2011 at 15:04
Achei “O homem Duplicado” uma obra prima. Uma maquininha de transcrever pensamentos. Jose Saramago realmente é tudo de bom. Livre de religiao, preconceitos, regras. é o pensamento no papel.
Posted by peterson on 12 12UTC Dezembro 12UTC 2011 at 14:55
a narrativa prende vc no livro que nao consegui largar nem no banheiro. resultaodo: 2 dias sem tomar banho. o texto nao é do livro que refiro, mas lembra o estilo.
Posted by Adriele Rocha (@adrielers) on 5 05UTC Dezembro 05UTC 2011 at 21:51
Demorou mas voltou, e em grande estilo. Nem precisa dizer o quão lindo está o post, as palavras parecem transcender, junto com a música então.
E realmente, aquela fase de criança que contávamos os dias pro Natal chegar, para armar a arvore e esperar ansiosamente pelos presentes, era uma fase tão boa e as vezes a gente nem valoriza esses momentos.
Nardele, boa sorte nessa sua nova jornada, muito sucesso! Vai aproveitando cada minuto dessas coisas novas que acontecem. E a vida é assim, hoje é essa nostalgia, mas não esqueça que amanhã haverá criança(as), aquele barulhinho bom e a magia de sempre!
Posted by Rafael Mota on 5 05UTC Dezembro 05UTC 2011 at 21:52
Adorei o final…:”Chorei e Sorri.”
Posted by Myl on 6 06UTC Dezembro 06UTC 2011 at 11:00
Que lindo Pyl, fiquei so lembrando de cada uma as cenas que descreveu, tudo igual a vc, e qdo sentiamos aquele climinha de Natal, lembra?! Tinha ano que ja em outubro a gente sentia o clima de Natal chegando… era tão lindo! A casa ficava magica, me sentia tão amada e tão segura…
Amei seu texto, me fez viajar no passado, deu um aperto no coração, um no na garganta de saudade…
Chorei e ainda choro.
Posted by Lore on 6 06UTC Dezembro 06UTC 2011 at 11:22
Eu quero ir na sua casa…e apesar da sua displicência com a minha pessoa, eu ainda tenho saudade. PS: Me fez lembrar do meu primeiro natal na minha casinha da Federa…sei exatamente qual é esse sensação! beijo Naná
Posted by Ju on 6 06UTC Dezembro 06UTC 2011 at 12:31
Delinha, lindas palavras!! eu também adoro montar a árvore e arrumar a casa para o natal!!
Seja muito feliz na sua casinha.
Beijos,
Ju
Posted by Paloma on 6 06UTC Dezembro 06UTC 2011 at 12:42
Ná,
Que lindo post! É muito bom crescer e ter nosso espaço e também cultivar lembranças felizes de todos os outros espaços que já ocupamos.
Seja muito feliz no novo lar!
beijos
Posted by Ricardo Ramos Santana on 6 06UTC Dezembro 06UTC 2011 at 18:33
Criança e assim chora , pula , grita , sorri ! Mas não , não e so isso !A criança não e hipocrita pois se ela ama e de verdade , se tem medo se esconde , se não gosta demonstra e tem o sorriso mais puro deste mundo ! Lindo texto ! Parabens pelo seu trabalho !
Posted by Paullo Phirmo on 6 06UTC Dezembro 06UTC 2011 at 22:45
Chorei e sorri. Ao ler.
E morando a quatro anos sozinho, choro e sorrio com uma frequência que não imaginava que aconteceria… Sua alma é tão linda quanto o seu corpo, Nardele. Que Ser Humano fofo que você é. Beijão, moça.
Posted by Miranda on 7 07UTC Dezembro 07UTC 2011 at 8:30
Eu me identifico tanto com com tudo que vem de vc. Sempre nesta epoca essas lembrancas chegam e a nostalgia bate. Por enquanto ainda moro com meus pais, e por inumeros motivos nossa arvore ainda nao foi montada. Chegou minha hora de tomar a frente desta tarefa. rsssss. Obrigado
Posted by Berna on 7 07UTC Dezembro 07UTC 2011 at 9:37
Lindo texto, me identifiquei totalmente…Natal pra mim é sinônimo de saudade e melancolia.
Posted by Norma Rangel on 7 07UTC Dezembro 07UTC 2011 at 11:03
Nardele,
Voce é uma menina maravilhosa !
Bj
Norma R.
Posted by Nardele Gomes on 8 08UTC Dezembro 08UTC 2011 at 18:13
Oi Delinha, que lindo tudo que escreveu, os comentários também. Agora, minha filha sou eu quem chora depois de tudo isso, de lembrar que quando descíamos na Noite de Natal, dava sempre um jeito de subir de novo pra colocar os presentes que papai noel deveria colocar na janela, nos sapatos, em cima da cama das duas. Sempre foi pra nós um momento mágico esse, de tanta alegria. Alegria maior ainda, era quando voltávamos e víamos os olhinhos brilharem de tanta emoção. Ainda me faz muito bem arrumar a nossa casa nesse período. A infância de vocês foi realmente linda. Tenho muita saudade e choro. Beijinhos meu amor. Mamãe que te ama demais.
Posted by Nardele Gomes on 8 08UTC Dezembro 08UTC 2011 at 18:16
Filhota,
Nem me disse que já arrumou sua árvore, ta linda, vou ver em breve.
Beijinhos.
Mamãe.
Posted by Nardele Gomes on 8 08UTC Dezembro 08UTC 2011 at 19:56
Há momentos em que me pergunto: Será que minha arte de escrever vem de mim ou foi algo que minhas filhas souberam, inteligentemente, dividir comigo? fico com a segunda hipótese. E mais alegre fico quando descubro que o que elas fizeram não lhes tirou quase nada do seus saberes. Grande é aquele que sabe dividir o pão. E esse quando dividido, sempre aumenta.
Quando li seu comentário me senti lendo trecho de um bom livro de memórias. Memórias que se relacionam exatamente comigo. Eu te saúdo em nome de um futuro fulgente que te espera. Prevejo isso em nome do CRIADOR. “Taca o pé na mula que a estrada é de boa largura e o vento é do LESTE”.
Posted by nardele on 9 09UTC Dezembro 09UTC 2011 at 9:23
“Pai e mãe… ouro de mina. Coração, desejo e sina. Tudo mais, pura rotina. Jazz.”
[aí em cima são minha mãe e meu pai.
]
Posted by nardele on 12 12UTC Dezembro 12UTC 2011 at 14:53
Quantos comentários lindos. Todos. Valeram por mais alguns chorinhos ainda naquela noite! Mas dos bons.
Posted by Nardele Gomes on 14 14UTC Dezembro 14UTC 2011 at 18:28
Delinha
Vi agora seu novo comentário filha, você me surpreende a cada dia, sou muito feliz por você. Mamãe não tem nem cometários a fazer.
Muitos beijos.
Te amo.
Posted by CARLOS GOMES on 18 18UTC Fevereiro 18UTC 2012 at 11:27
Nardele, a ouço quase diariàmente. Sua leveza e inteligencia. Sua forma correta e precisa de se posicionar , serviram de igredientes para lhe querer bem. Casualmente, observando esse seu texto, voce que para mim é ainda uma garota, colocou em pauta um anseio, um sentimento sentido nessas ocasioes que as palavras não exprimem. Ainda sinto essa nostalgia, até em algum momento , gostosa, mas, que nos faz sofrer. infelizmente. Deus te abençoe, garota.